Fevereiro Laranja traz campanha alusiva ao enfrentamento a leucemia e incentivo a doação de medula óssea

Campanha é realizada ao longo do mês, buscando conscientizar sobre as doenças. (Foto: Freepik)

Como uma ação de conscientização, o Fevereiro Laranja visa o enfrentamento da leucemia e o incentivo a doação de medula óssea. Tornar-se um doador de medula óssea, além de ser simples, é uma ação que pode salvar a vida de uma pessoa. No Hemocentro de Pelotas, já são 28 mil pessoas cadastradas como doadores, ato muito importante para o processo de busca por um doador compatível aos portadores da doença.

A leucemia é um câncer das células de defesa do nosso organismo, os chamados glóbulos brancos. Essas células são formadas na medula óssea, localizada dentro de alguns ossos chatos e na maioria dos ossos longos, como o fêmur. O tratamento da doença muda de acordo com o tipo de leucemia. Em casos de leucemias agudas, é necessário o início imediato. Porém, em outros tipos são tratadas com drogas via oral, em regime ambulatorial. Enquanto outras, com pacientes assintomáticos, não necessitam inicialmente de tratamento, apenas acompanhamento médico.

Segundo Andréia Miranda, hematologista do Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr. da Universidade Federal do Rio Grande (HU-Furg), o tratamento da leucemia é multidisciplinar, ou seja, o paciente deve ser atendido por profissionais de várias áreas além da hematologia, tais como psicologia, nutrição, fisioterapia e outros.

Em geral, os sintomas de leucemia aguda iniciam com um quadro abrupto de febre e dor óssea. Além de sintomas anêmicos, complicações infecciosas e sangramentos de qualquer tipo e gravidade. Nesses casoso paciente precisa ficar internado, em média, de 30 a 40 dias. “[O paciente] precisa passar um acesso venoso profundo, fazer quimioterapia de altas doses e nesse período fica susceptível a complicações porque as contagens sanguíneas baixam muito, tem risco de infecções graves e hemorragias”, explica Andréia.

Além disso, a hematologista afirma que nem todos os portadores da doença precisarão de um transplante. As indicações dependem do tipo de leucemia, idade de diagnóstico e fatores prognósticos associados. “Quando indicado, o paciente primeiramente é tratado para atingir a remissão da doença e depois encaminhado ao transplante”, adiciona ela. Assim, quando o paciente necessita de um transplante e não possui doador, é inscrito no Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (REREME).

Para se tornar doador é preciso realizar um cadastro através dos hemocentros, onde será feito o cadastro no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME). Marcia Lages, responsável pela captação de doadores no Hemocentro de Pelotas (Hemopel), explica que o doador ainda assinará um termo de consentimento e realizará a coleta de uma amostra de sangue de aproximadamente 10ml, que é enviado para o REDOME.

Também, é preciso ter entre 18 e 35 anos de idade, levar um documento oficial com foto e estar em bom estado geral de saúde, sem possuir nenhuma doença impeditiva para a doação. Atualmente, Marcia afirma que aproximadamente 28 mil pessoas se cadastraram como doadores de medula óssea no Hemopel.

Com o cadastro no REDOME, ao se perceber compatibilidade entre um doador e um paciente, o doador será convocado para a realização do transplante. De acordo com Andreia, o processo é amplo, indo desde consultas de avaliação clínica e laboratorial, para atestar a compatibilidade; até o procedimento em si.

No momento de doação, são feitas punções repetidas no ilíaco – um osso na região da bacia –, sob anestesia, até ser realizada a coleta do volume necessário, indicado pelo hematologista ou hemoterapeuta. Então, a medula óssea coletada é encaminhada ao serviço de hemoterapia para contagem de células-tronco e preparo, para depois ser infundida no receptor. O doador é liberado no dia seguinte, em geral, com reposição de ferro e acompanhamento ambulatorial até ser liberado pela equipe.

Em outro procedimento citado por Luiz Claudio Duarte, chefe da unidade de Hematologia e Hemoterapia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), o doador recebe um medicamento que estimula as células-tronco a se multiplicarem e saírem da medula óssea, passando para o sangue periférico. Assim, é realizado uma punção na veia e o sangue do doador passa a circular em uma máquina semelhante à de hemodiálise, onde são filtradas as células para o transplante. O hematologista afirma que o procedimento é indolor, porém pode demorar cerca de 3h.

O aumento no número de doadores voluntários e a realização do cadastro no REDOME é de extrema importância, já que facilita e agiliza o processo de busca por uma pessoa compatível. “Quando um paciente necessita de um transplante e não tem um doador compatível na família, vai-se recorrer então ao banco de dados do REDOME para encontrar um possível doador, que seja compatível com o paciente. Então, quanto mais doadores nós tivermos no banco de dados, maior a probabilidade de encontrar alguém compatível”, explica Marcia.

Em alusão ao Fevereiro Laranja, o Hemopel realiza palestras em municípios que solicitam o órgão para falar sobre o transplante de medula óssea em campanhas organizadas pelas prefeituras. Além disso, a Prefeitura de Pelotas também está realizando campanha alusiva ao Fevereiro Laranja e Roxo – mês de consciência sobre lúpus, fibromialgia e mal de Alzheimer – nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Na campanha, a instrução sobre essas doenças se dará durante as atividades já agendadas com grupo de pacientes, nas salas de espera e durante as consultas nas UBSs.

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