Estilo de vida saudável é a melhor forma de prevenir doenças de inverno

Foto: Reprodução/Internet

Os meses de inverno são naturalmente os de maior incidência de doenças respiratórias. Em tempos de pandemia, não há como dissociar as doenças respiratórias da Covid-19, mal que se tornou parte do cotidiano nos últimos 15 meses. Mesmo com o avanço da vacinação – Pelotas iniciou nesta semana a vacinação de adultos na faixa etária entre os 59 e 55 anos – não é hora de relaxar os protocolos. Higienização das mãos, uso de álcool gel, máscara e distanciamento ainda são necessários para evitar a proliferação do vírus, pois mesmo vacinada uma pessoa pode transmitir a doença a outras.

O alerta é da médica pneumologista Helena Souza van der Lann, que afirma não haver como diferenciar sintomas de gripes, resfriados e Covid-19. “Sem o teste não tem como diferenciar, porque nós vemos todos os espectros de doença na Covid”, disse. Se a pessoa está exposta, pois numa pandemia todos estão expostos, a diferenciação ocorre quando do diagnóstico definitivo que é pela realização de exames.

Ela destaca que no inverno outras doenças como gripe, que é o vírus Influenza, já tem prevenção, feita através da vacina contra a gripe. Ela salienta que o governo investe forte em campanhas para a vacinação de idosos e pessoas com fatores de risco para evitar as formas graves da doença.

“A gripe tem sintomas um pouco mais graves que o resfriado, como febre alta, fraqueza, dores musculares, quadros gastrointestinais como diarréia, assim como a Covid, e por isso é tão difícil de diferenciar uma da outra”, afirma. Já o resfriado, segundo ela é um quadro mais leve, geralmente vírus respiratórios que provocam enfados de via aérea superior, como coriza, obstrução nasal, quadro de espirro, febre mais baixa e mal estar.

Ela desaconselha as formas preventivas à Covid, como o uso de medicamentos para aumentar a imunidade. “Não se consegue comprar uma fórmula de imunidade na farmácia, isto depende do estilo de vida”, comenta. O aumento da imunidade se dá através de alimentação saudável e prática de atividades físicas. A diminuição do estresse também é importante, até porque muitos estão em home office, o que restringe as pessoas às suas residências e em alguns casos, desestrutura as famílias. “Uma dieta balanceada aliada à atividade física, mesmo que in door, é importante para que se tenha um equilíbrio, tanto para a saúde mental quanto para a física”, aconselha.

Ela lembra às pessoas vacinadas, que a vacina não fecha o corpo para a doença. “Não é um escudo. Quem se vacina está sujeito a adoecer e, o principal, segue transmitindo a doença”, alerta. A vacina serve para proteger o individuo das formas graves da doença, inclusive internações em UTIs e mortes, que são os desfechos que a vacina se propõe a evitar, diz. Segundo ela, não há como evitar que o vírus entre no organismo, não é uma película para o corpo.

“É um contato primário que a pessoa tem com o vírus, na forma de vírus inativado, para não desenvolver a doença, com isso, o corpo já conhecendo o vírus consegue combatê-lo de forma que não prejudique o organismo a reduza as chances de adormecimento grave”, explica.

Na linha de frente nas alas Covid da Santa Casa, que teve início em dezembro, e Ebserh, também desde o seu início, a médica ressalta que as enfermarias estão lotadas, inclusive com leitos extras. Segundo ela, um dos principais aspectos desta terceira onda de Covid nos hospitais, são as internações de pacientes mais jovens.

“O que se observa de diferente atualmente é a idade dos pacientes”, diz. Segundo ela, com os idosos vacinados, os pacientes que adoecem estão abaixo de 60 anos e que não se vacinaram. A disponibilidade de vacinas ainda é uma das principais questões a ser enfrentada pelos governantes. No entanto, ela elogia a dinâmica da vacinação no Rio Grande do Sul, que tem apresentado um dos melhores índices no país. “O maior número da população vacinada irá refletir diretamente nas internações e no número de casos”, ressalta.

No inverno, a tendência é haver um número maior de pacientes com doenças respiratórias, mas com os idosos vacinados, a expectativa é de que neste ano o número de internações por Covid nesta faixa de idade diminua. “Isso ainda é especulação, mas espera-se que o número de internações seja bem menor do que o ano passado”, destaca.

No entanto, outras doenças respiratórias preocupam, como os quadros de pneumonia, gripes e outros vírus respiratórios, além das internações sazonais que acontecem no inverno, como as vasculopatias (infartos e isquemias), que também têm maior incidência nestes meses e irão refletir diretamente nas internações e na ocupação de leitos nos hospitais.

A prevenção ainda é o melhor em qualquer situação, destaca a médica, o que na sua opinião se tornou algo muito forte entre as pessoas. “As pessoas querem se vacinar, mas enquanto não houver um número suficiente de vacinas para atingir o maior número de pessoas possível, o distanciamento social ainda é a melhor prevenção”, finaliza.

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