Especial JTR: Pavilhão da Agroindústria Familiar tem 62 empreendimentos na Fenadoce

Foto: JTR/Arquivo

Os produtos da agricultura familiar voltaram com força na Fenadoce e neste ano o espaço conta com 62 empreendimentos, entre eles, dois de tribos indígenas de Pelotas, com artesanatos caigangues e guaranis. As demais são agroindústrias de alimentos, artesanatos e floricultura. Destes, outros 11 são de Pelotas, 33 da Zona Sul e o restante de outras regiões do estado.

O representante da Emater na coordenação da feira, Renato Cougo, destaca a participação das cooperativas como a Sul Ecológica com produtos orgânicos, a Cooperativa Agropecuária de Arroio do Padre (Coopap), Cooperativa de Produtores Ecologistas de Garibaldi (Coopeg), Cooperativa Vida Natural (Coopernatural) de Picada Café e Mãe Natureza, formada por assentados, de Pedras Altas. Ele ressalta, ainda, a participação de assentados de Joia e Pedras Altas e pela primeira vez, uma agroindústria de Tavares, de remanescente de quilombos, com a comercialização de sal temperado. Ao todo, estão presentes nesta edição 35 municípios. “A expectativa é de pelo menos manter o volume comercializado no ano passado, que chegou a R$ 750 mil”, diz Cougo.

Em sua quinta edição, a Feira da Agricultura Familiar é uma ação do programa Sabor Gaúcho para divulgação da agricultura familiar e é organizada pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural, com o apoio de entidades como Emater, Embrapa Clima Temperado, Prefeitura de Pelotas, Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul do Brasil (Fetraf).

No pavilhão são comercializados desde embutidos, produtos lácteos, erva mate, conservas vegetais, mel, sucos, vinhos, cachaça, artesanato, artigos de quase todos os segmentos, o que demonstra a diversificação dos sistemas produtivos. A qualidade dos produtos já ficou comprovada pelos visitantes, que têm a oportunidade de convívio e contato direto com os produtores.

Na feira são oferecidos além dos produtos alimentícios, o artesanato rural, produzido a partir de materiais encontrados na propriedade como bambu, porongos, lã, madeira, entre outros. Outra peculiaridade é a oferta de frutas e hortaliças, produtos in natura e orgânicos, oferecidos por cooperativas agroecológicas, o que demonstra a preocupação da produção primária com a saúde e a segurança alimentar. O pavilhão também abre espaço à floricultura, feita exclusivamente por agricultores familiares. Este ano, pela primeira vez, o pavilhão recebe também produtores de mel.

Aura Verde

Fotos: Luciara Schneid/JTR

Presente pelo segundo ano na Fenadoce, a Agroindústria Aura Verde, que tem à sua frente a jornalista Helena Chies e o publicitário Jonathas Rivero, além dos já reconhecidos molhos e antepastos, preparados sem qualquer conservante, trazem novidades neste ano. Segundo Helena, além da cebola caramelizada preparada como acompanhamento para lanches e carnes, a Aura Verde lança na Fenadoce o catchup natural, sem qualquer conservante ou espessante. A identidade dos produtos também ganhou novo visual, com rótulos diferenciados, segundo ela, para se adequar ao seu público, na maioria jovens. A agroindústria que já entra no seu terceiro ano, vê na Fenadoce uma excelente oportunidade para entrar em contato com esse público e divulgar seus produtos. Entre os mais populares estão a pasta de berinjela e o molho de tomate, tudo sem conservantes. Produzem ainda, a laranjinha, que é um doce em calda e o tomate seco.

JCA Derivados de Leite


De Riozinho, pela primeira vez na Fenadoce, a JCA Derivados de Leite oferece aos visitantes produtos como queijos, iogurtes e doce de leite. Segundo a produtora Ane Ertmann, os produtos são fabricados com leite de cabra e vaca. No queijo, um diferencial: em vez de usar o fermento lácteo, usa iogurte natural que ela mesma produz. Além de mais leve, o sabor é uma delícia. “É só passar na banca da agroindústria e comprovar”, diz.
Na agroindústria, que já tem dois anos, o produto final é feito com o leite produzido na propriedade. E ela tem outras peculiaridades, como o queijo em conserva, feito com azeite de oliva e óleo de girassol e condimentos como ervas finas e pimenta.

Agroindústria Negrello


O sucesso foi tanto, na edição de 2018, que os produtores da agroindústria Negrello, de Barão, resolveram voltar. Especializada em frutas desidratadas e cristalizadas e doces em pasta, a agroindústria completa 20 anos em 2020, conta a produtora Márcia Raimundi, que trabalha ao lado do marido Rogério Negrello. A produção foi iniciada pela sogra de Márcia com o figo maduro. A limitação na oferta de produtos, que durava apenas na safra do figo, de fevereiro a abril, levou à diversificação. Hoje possuem uma gama de produtos como as passas (desidratadas) de figo maduro, maçã, pêssego, goiaba, abacaxi, caqui, pera, kiwi e trabalham o ano todo. Entre os produtos mais tradicionais estão os cristalizados de abóbora e figo verde. A figada com nozes é um dos mais consumidos, sendo um diferencial da agroindústria. “Possui pouco açúcar, o que possibilita sentir o sabor da fruta, e nada de conservante”, afirma.

Queijos de Joia


Num mesmo estande, dois produtos diferentes de origem animal: de um lado, o casal Marleise Fioresi e Edemir Varsolen com os queijos produzidos em Joia e de outro, Edegar Fioresi com os embutidos, de Tupanciretã. Produtos diferentes, o mesmo sucesso, e a certeza de voltar ao evento em virtude do sucesso do ano passado, conta Marleise. O queijo, sem conservantes, é produzido com a matéria-prima obtida na propriedade e segundo ela, o diferencial é grande. O queijo é industrializado com leite puro, sem desnatar, e leva apenas o fermento, coalho e sal, sem conservantes.
Os produtores, que são assentados da reforma agrária, também acrescentam alguns ingredientes ao queijo, a fim de diferenciar o sabor e temperos, como salame e orégano, ervas finas, chimichurri, pimenta, alho. Entre os produtos de maior sucesso, está o queijo colonial curado em vinho, conforme ela, um sucesso na Expointer do ano passado.

Figueira do Prado


Mas nem só de novas agroindústrias é feito o pavilhão. Há aqueles mais experientes, que participam da Fenadoce, antes mesmo da criação do pavilhão. É o caso da Agroindústria Figueira do Prado, da produtora Miriam Costa, que já completa 12 anos de Fenadoce. A agroindústria, de São Lourenço do Sul, é famosa por seus sucos e chimias, feitos com frutas nativas da região, como o butiá, ananás, araçá, amora e goiaba. Ao todo, são 12 sabores de chimias e 11 de sucos. A agroindústria integra a rota turística Caminho Pomerano.

Família Guiot


A Família Guiot é um empreendimento veterano na produção de vinhos e sucos, localizado na Colônia Francesa de Pelotas, participa pela primeira vez da Fenadoce, pois acabaram de se legalizar. Antes, a produção se restringia ao consumo próprio e para presentear amigos, diz Robel Rosso Guiot. Segundo ele, na propriedade há dois hectares de parreiras, oito hectares de pêssego, além do eucalipto e da acácia. Na feira, é possível experimentar e adquirir os vinhos e sucos, feitos de pêssego e uva. A família é descendente de franceses, responsáveis por trazer as primeiras uvas para a região, na época da colonização.

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome