Emater/RS incentiva a armazenagem de grãos na propriedade, especialmente o milho

Sistema alternativo com montagem de secadores e silos a partir de alvenaria armada (tijolos). Foto: Arquivo/Divulgação

Em fase de plantio, o milho está em falta no mercado local e regional, tanto para a comercialização, quanto para a alimentação dos animais com a finalidade de abastecimento familiar. As condições do clima e umidade no solo favorecem o plantio que deve se estender até o próximo mês.

Na região, o cultivo se dá com a finalidade tanto para silagem, quanto para grãos. A intenção é de aumento de área, com o total de 50.596 hectares para grãos e de 15.218 hectares para silagem. O plantio ocorre em todos os 22 municípios da Zona Sul, com 20% da área semeada em Pelotas e Arroio do Padre, 15% em Canguçu e 21% em Turuçu. Os preços variam entre R$ 52 e R$ 65 o saco de 60 quilos. Sem grãos disponíveis, os negócios estão parados. Com uma quebra significativa na última safra, em toda a região, em consequência da estiagem, a Emater/RS incentiva a armazenagem de grãos, especialmente de soja e milho, na pequena propriedade.

De acordo com o extensionista da Emater/RS, engenheiro agrônomo Evair Ehlert, o cereal assume cada vez mais importância no Rio Grande do Sul, pela rotação e diversificação de culturas, pela sustentabilidade das propriedades e pelo estado ser um grande produtor de carne e leite, no qual o milho entra como principal insumo. Por isso, sua produção tem importância estratégica nas propriedades rurais, principalmente para os agricultores familiares, onde a cultura faz parte do cotidiano da família rural que está presente nos 449 municípios gaúchos, que cultivam o milho para grão. Já o milho com destino para silagem está presente em 416 municípios. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo Agropecuário 2017, 180.610 propriedades rurais cultivam milho, sendo 158.277 de agricultura familiar.

Portanto, o cultivo do milho é um dos pilares da economia do estado, visto que o milho grão é a segunda cultura com uma área estimada para a safra – 2020/2021, de 786.988 hectares e produção estimada de 5.937.746 toneladas. O milho é estratégico para o agronegócio gaúcho, pois interage com toda a cadeia de aves, suínos e bovinos, que representam 10% do PIB gaúcho. O desenvolvimento e a sustentabilidade da agricultura familiar têm relação direta com o avanço e consolidação desta cultura.

O Rio Grande do Sul, nas últimas safras, foi deficitário na produção e oferta do milho grão, pois consome mais milho do que produz. Neste ano, em virtude das adversidades climáticas, a safra de milho teve uma quebra considerável, acarretando maiores importações do milho grão de fora do estado.

Com o objetivo de aumentar a produção de milho, tornando o Rio Grande do Sul autossuficiente no cereal, a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SEAPDR) lançou, em fevereiro, o Programa Estadual de Produção e Qualidade do Milho (Pró-Milho RS).

A construção se deu com a participação de entidades representativas, produtores, cooperativas, cerealistas, integradoras de aves e suínos, além das entidades de pesquisa, ensino e assistência técnica como a Emater-RS, contratada da SEAPDR. Ao incentivar a produção, o Pró-Milho RS busca reduzir o déficit do grão, bem como objetiva proporcionar renda compatível e maior segurança aos produtores rurais.

Segundo Ehlerth, na região são poucas as propriedades rurais com estruturas de secagem e armazenagem para guardar o milho adequadamente. “É urgente programas de fomento nesta atividade, dando possibilidade a então retomada do cultivo de milho na região, pois produziremos milho com qualidade, com renda e teremos onde armazenar”, salienta.

De acordo com o engenheiro agrícola Geverson dos Santos, a Emater promove trabalho para incentivar a armazenagem na propriedade, com a destinação de ambiente adequado, possibilitando a conservação dos grãos ao longo do tempo, no mínimo o período entre uma safra e outra, ou seja, um ano.

São poucas as propriedades com estruturas de secagem e armazenagem para guardar o milho. Foto: Arquivo/Divulgação

Para isso, a Emater desenvolve projetos e sistemas de armazenagem mais adequados à pequena propriedade. São sistemas alternativos com a montagem de secadores e silos a partir de alvenaria armada (tijolos), tecnologia promovida por grupo de extensionistas criado para este fim específico, inclusive com a realização de curso em seu Centro de Treinamento (Cetac), em Canguçu.

Segundo Santos, atualmente, há diversas unidades de armazenagem construídas na região e espalhadas entre Canguçu, Pelotas e Turuçu, sendo que a maior quantidade está instalada no interior canguçuense, em torno de 100 unidades.

A maior quantidade de armazenagem de grãos está em Canguçu. Foto: Arquivo/Divulgação
Intenção de plantio de milho silagem para safra 2020/2021
Intenção de plantio de milho grão para safra 2020/2021

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