
*Com informações da Assessoria de Imprensa
A combinação de estiagem prolongada e escassez de diesel coloca em risco a safra de verão no Rio Grande do Sul. Enquanto a falta de chuvas compromete lavouras, a dificuldade no abastecimento de combustível já atinge 44% das prefeituras gaúchas, impactando tanto o campo quanto serviços essenciais.
Desde dezembro de 2025, ao menos 44 municípios tiveram situação de emergência ou calamidade pública homologada pela Defesa Civil estadual em razão da seca. Um dos casos é Júlio de Castilhos, importante produtor de soja, que decretou emergência após prejuízos estimados em mais de R$ 146 milhões, segundo levantamento da Emater. As perdas atingem principalmente soja, milho e a produção leiteira.
Dados da Secretaria da Agricultura indicam que fevereiro registrou chuvas abaixo da média histórica em grande parte do Estado, com desvios negativos entre 5 e 100 milímetros em regiões como Campanha, Zona Sul, Serra e Planalto. As temperaturas, por sua vez, ficaram de próximas a acima da normal, agravando o estresse hídrico nas lavouras.
Segundo a pesquisadora Ivonete Tazzo, da Secretaria, a irregularidade climática resultou em desempenhos distintos nas culturas. Soja e milho foram prejudicados, enquanto arroz e uva tiveram condições favoráveis devido à maior incidência de radiação solar e menor número de dias chuvosos.
Na pecuária, a estiagem reduziu a disponibilidade de pastagens, exigindo ajustes no manejo do rebanho e medidas para reduzir o estresse térmico, especialmente em vacas leiteiras.
Escassez de diesel agrava cenário
Além da seca, produtores enfrentam dificuldades para obter diesel. Levantamento da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) aponta que 143 prefeituras relatam falta de combustível, o equivalente a 44,8% dos municípios que responderam à pesquisa.
A situação já afeta serviços públicos. Prefeituras têm priorizado o transporte de pacientes, enquanto atividades que dependem de máquinas pesadas, como obras e manutenção de estradas, estão sendo suspensas.
Em Júlio de Castilhos, a administração municipal decretou emergência administrativa diante do aumento expressivo no preço do diesel, o que compromete o abastecimento da frota e a prestação de serviços nas áreas de saúde, educação e infraestrutura.
A presidente da Famurs, Adriane Perin de Oliveira, alertou para o risco de agravamento da crise. “Essa situação tende a se agravar se nenhuma medida de garantia do abastecimento for tomada. Temos o risco de que isso afete o transporte escolar e o transporte de pacientes para outras cidades”, afirma.
O problema no fornecimento de combustível já havia sido apontado anteriormente pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, que destacou impactos diretos na colheita de culturas como arroz e soja. Segundo a entidade, atrasos no trabalho aumentam a exposição das lavouras às condições climáticas adversas, ampliando os prejuízos no campo.
Com a colheita em andamento e o cenário climático desfavorável, a combinação entre estiagem e crise no diesel aumenta a pressão sobre o agronegócio e pode gerar reflexos em toda a economia gaúcha.



