Agroindústrias experimentam novo momento com mercado regional aberto

Vendas aumentaram 40% com abertura do mercado regional. (Foto: Álvaro Guimarães/JTR)

A adesão de 20 municípios da Zona Sul ao Consórcio Regional de Inspeção de Produtos de Origem Animal, órgão ligado ao Consórcio Público do Extremo Sul (Copes), abriu o mercado regional para agroindústrias que antes estavam limitadas a vender seus produtos apenas dentro dos limites das cidades onde estão instaladas. Passados quatro meses desde o lançamento do Consórcio Regional, os primeiros sinais positivos da iniciativa já começam a ser sentidos.

Atualmente, cerca de 150 empresas estão cadastradas e aptas a comercializar sua produção nas 20 cidades que integram o Consórcio. “O retorno tem sido bastante positivo por parte das empresas, especialmente de quem já está conseguindo fazer as vendas. Estes empreendedores dizem que essa abertura de mercado representou um ganho bastante importante para eles”, disse o coordenador do Consórcio Regional de Inspeção, Carlos Schabbach.

Carlos Schabbach, coordenador do Consórcio Regional de Inspeção. (Foto: Divulgação)

O presidente da Rede Alimentare, que reúne 20 das 38 agroindústrias pelotenses, Igor Fonseca, avalia como “gigantescas” as oportunidades geradas e diz que o grupo busca um representante comercial para atuar abrindo mercados e pontos de venda para as empresas associadas à rede.

Igor Fonseca, presidente da Rede Alimentare. (Foto; Divulgação)

Proprietário da peixaria Estrela do Mar com sede na Colônia de Pescadores Z3 e uma loja no Mercado Central, Fonseca é um dos empreendedores que já lucra com o novo momento. Desde que a Câmara de Vereadores de Pelotas aprovou, em janeiro, a adesão do município ao Consórcio Regional, ele conquistou clientes em São Lourenço do Sul, Rio Grande e Canguçu, o que aumentou suas vendas em 40%. O novo momento teve reflexo direto, também, na oferta de empregos na empresa, que até o início do ano tinha sete colaboradores e hoje tem 12.

“A medida que a Páscoa vai se aproximando a tendência é aumentar ainda mais. E depois, quando as vendas caem naturalmente, vamos poder manter um bom fluxo de vendas com clientes conquistados na região. Embora tenha passado pouco tempo, já dá para ver que foi um salto de desenvolvimento para a Zona Sul”, afirmou.

Na opinião de Schabbach, quanto mais amadurecido o consórcio estiver, maior será ganho para as empresas, seja financeiramente ou em volume de produção, comercialização e empregos gerados. “É um salto exponencial para os municípios onde esses estabelecimentos são instalados e, por tabela, ainda aumenta-se a arrecadação de impostos”, comentou.

Setor público também lucrou com a iniciativa

Os benefícios do Consórcio Regional de Inspeção não se limitam às agroindústrias, pois os integrantes dos Serviços de Inspeção Municipais (SIMs) também já notam melhoras no trabalho.

“Para os técnicos envolvidos, tanto da parte pública quanto da parte privada, tem sido excelente porque intensificou a troca de informações, de experiências, e o sistema como todo está crescendo em qualidade”, avaliou Schabbach.

Para o veterinário Márcio Moraes, do SIM de Rio Grande, onde nove agroindústrias fazem parte do sistema do Consórcio Regional, a proximidade com colegas de outros municípios representa um ganho. “Muitas vezes a gente fica muito sozinho, isolado no município, e com essa troca de informações os procedimentos ficam mais nivelados e a qualidade da inspeção aumenta”, disse.

Ao equiparar regionalmente os procedimentos de inspeção e nivelar a qualidade dos empreendimentos, os SIMs contribuem para um aumento do padrão dos produtos das agroindústrias, o que beneficia tanto quem deseja conquistar mercados maiores e mais exigentes, como os consumidores que passam a ter alimentos cada vez melhores à sua disposição.