A década da agricultura familiar: ações que valorizam o potencial da região

A agricultura familiar tem grande importância econômica e social, além de apresentar diversificação na região. Foto: Milka Camargo

Os municípios da Região Sul do estado são diretamente identificados com a agricultura familiar, gerando diversidade produtiva e impulsionando de maneira significativa a economia da região. Diversas formas de cultivo, além de emprego de mão obra da própria família e o respeito ao ecossistema são características que fazem do fomento à agricultura familiar na região essencial para o desenvolvimento da prática.

No intuito de difundir o trabalho desenvolvido pelos agricultores ao redor do mundo, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lançou, em maio de 2019, em Roma, na Itália, “A Década da Agricultura Familiar”, com objetivo de colocar em prática um plano de ação global contra a fome e a pobreza rural até 2028.

A Década é fruto da união de diversas entidades representativas de todo o mundo, liderada pelo Fórum Rural Mundial, na qual conforme o plano de ação da FAO, os objetivos da ação são criar um ambiente político propício para fortalecer a agricultura familiar, apoiar os jovens, fomentar a igualdade de gênero, impulsionar as organizações de produtores, melhorar sua inclusão e resiliência, conseguir sustentabilidade e inovar em favor do desenvolvimento territorial. De maneira geral, o plano coloca a agricultura familiar no centro da estratégia para acabar com a fome do mundo nos próximos 10 anos.

De acordo com o vice-presidente do Fórum Rural Mundial, Alberto Ercílio Broch, todas as ações são concentradas em lutar contra a fome e promover a segurança alimentar, destacando a importância da discussão entre representantes dos municípios e dos sindicatos sobre ações que divulguem os pilares que estão sustentados na Década.

Na ocasião do lançamento, o Papa Francisco manifestou-
se em reconhecimento da importância da agricultura familiar a nível global. “A família ajuda a entender o vínculo entre humanidade, criação e agricultura. A partir de uma ação adequada, a autoridade pública pode trabalhar junto para o desenvolvimento da área rural, para o bem comum”, afirmou.

Para o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Carlos Joel da Silva, as ações da Década são importantes, pois colocam em pauta as diversas dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores e estimulam a criação de políticas públicas que beneficiem os trabalhadores. “Precisamos olhar para a agricultura familiar e reconhecer a importância dos produtores que investem para colocar uma semente na terra e produzir alimento, mesmo com todos os desafios, além de discutir dentro dos municípios as soluções para os setores junto ao Estado e ao país, buscando a valorização dos agricultores”, declarou Silva.

Agricultura familiar na região
Os municípios que formam a Coordenadoria Regional Sul da Fetag possuem uma agricultura familiar forte e com grande potencial econômico a ser desenvolvido, como no caso de Canguçu, que é considerada a Capital da Agricultura Familiar, possuindo 60% da população no meio rural.

Segundo o secretário do Sindicato dos Agricultores Familiares de Canguçu, André Guilherme Tessmer, a agricultura familiar é a propulsora no setor econômico do município, com mais de 12 mil pequenas propriedades. “Cada propriedade é um grande empreendimento onde se produz os alimentos que são comercializados além das divisas do município, alimentando pessoas em toda Região Sul”, disse.

Ainda, Canguçu produz o maior volume de tabaco do Rio Grande do Sul, movimentando a economia e gerando milhares de postos de trabalho diretos e indiretos. Para o coordenador regional da Fetag e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Arroio Grande e Jaguarão, João Cesar Larrosa, a agricultura familiar na região é muito diversificada e com grande importância econômica e social em todos os 17 municípios produzindo alimentos de forma in natura que abastecem toda uma macrorregião, ao mesmo tempo em que servem para subsistência da maioria dos agricultores e pecuaristas familiares.

“Durante “A Década da Agricultura Familiar”, temos muitos pontos ainda para serem trabalhados, como aumentar a participação e permanência do jovem nas propriedades rurais, valorizar mais a participação das mulheres e tentar avançar no processo de agroindústria em nível de região. Hoje, nossa agricultura familiar carece de mais investimentos no que diz respeito a agroindustrializar o que produz. Assim, continuaremos dando seguimento ao crescimento até hoje alcançado a nível regional”, explicou Larrosa.

Em 2020, estavam previstas diversas atividades para difundir as ações da Década, no entanto, com a pandemia de coronavírus, as programações foram restringidas, o que impediu que encontros e eventos fossem realizados. Porém, uma série de ações adaptadas para o ambiente virtual deve ser realizada durante o ano de 2021.

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