Em meio à pandemia, Ministério da Saúde tem novo ministro pela quarta vez

Médico cardiologista Marcelo Queiroga em cerimônia realizada na quarta-feira (17) (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

*Com informações da Agência Brasil

No início desta semana, o presidente Jair Bolsonaro anunciou a nomeação do médico cardiologista Marcelo Queiroga para ministro da Saúde, substituindo o general Eduardo Pazuello.

Queiroga era a segunda opção do presidente. Sua colega de profissão, a médica cardiologista Ludhmila Hajjar, foi convidada para o cargo, mas recusou por ter “divergências técnicas” com o governo.

Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, os dois primeiros ministros da gestão Bolsonaro, deixaram o cargo por discordarem da maneira com que o presidente queria atuar na pandemia. Mandetta não aceitou recomendar hidroxicloroquina no tratamento da doença e destacava a não comprovação da eficácia do medicamento, além de defender medidas de isolamento social. Escolhido como substituto, Teich também se recusou a indicar a cloroquina. O médico declarava que o medicamento tem efeitos colaterais e deve ser usado com cuidados.

Durante a gestão de Pazuello, a Procuradoria-Geral da República abriu uma investigação para apurar a negligência do Ministério da Saúde. No Congresso, senadores pressionam para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Diante desse cenário, a permanência do general à frente da pasta se tornou insustentável.

Na quarta-feira (17), Queiroga disse que sua gestão vai trabalhar para conseguir homogeneizar a conduta assistencial no tratamento da Covid-19 no país. Ao participar ao lado do ministro Eduardo Pazuello da cerimônia de entrega das vacinas Oxford/AstraZeneca fabricadas em Bio-Manguinhos/Fiocruz, no Rio de Janeiro, Queiroga defendeu que é preciso haver protocolos uniformizados de assistência nas unidades de terapia intensiva (UTIs) no Brasil.

“Temos que transferir as expertises dos grandes centros para as unidades de terapia intensiva nas cidades que estão mais distantes, nos estados menores, de tal sorte a utilizar recursos de tecnologia de informação e comunicação como a telemedicina para que a gente consiga melhorar os resultados. É preciso garantir um atendimento mais rápido ao paciente para evitar que a doença progrida”, afirmou Queiroga.

De acordo com o sucessor de Pazuello, o país vai conseguir reduzir as mortes provocadas pela Covid-19 com políticas de distanciamento social, que permitam diminuir a circulação do novo coronavírus, e com a melhora da capacidade assistencial dos serviços hospitalares.
Queiroga voltou a destacar a importância da população aderir às medidas de enfrentamento. “Não adianta só o governo ficar recomendando o uso de máscaras, se as pessoas não são capazes de aderir a esse tipo de medida simples, que não demanda grande esforço. O governo recomenda, por exemplo, redução de aglomerações fúteis e as pessoas ficarem fazendo festas nos finais de semana, contribuindo para a circulação do vírus”, afirmou o médico.

No dia 25, Queiroga será ouvido em uma sessão de debates temáticos sobre o enfrentamento à pandemia no plenário do Senado Federal, a pedido do presidente da comissão temporária da Covid-19, senador Confúcio Moura. Os parlamentares querem ouvir do médico como fica a aquisição de vacinas, a disponibilização de leitos e oxigênio frente à pasta.

Perfil
Marcelo Queiroga é natural de João Pessoa e se formou em medicina pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Ele fez especialização em cardiologia no Hospital Adventista Silvestre, no Rio de Janeiro. Sua área de atuação é em hemodinâmica e cardiologia intervencionista e atualmente Queiroga é presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
O principal desafio do novo ministro será acelerar o processo de vacinação em massa da população.

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