Embrapa apresenta novo Plano Diretor com prioridades e metas para os próximos 10 anos

Presidente da instituição, Celso Moretti, atendeu a imprensa através de transmissão ao vivo (Foto: Reprodução/Internet)

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentou, na manhã de quarta-feira (4), o seu 7º Plano Diretor (PDE), durante entrevista coletiva transmitida via internet, com a presença do presidente da instituição, Celso Moretti. Ele falou a jornalistas de todo o país sobre o que é o plano, como ele foi elaborado, principais avanços e novidades, temas prioritários e metas.

Segundo Moretti, o PDE deve ser seguido pelas 43 unidades e centros de pesquisas localizados em todo o território brasileiro. A elaboração do plano teve o envolvimento do seu público interno e externo. A empresa possui, hoje, 8,2 mil colaboradores, dentre eles, 2,2 mil pesquisadores. Entre os seus parceiros estão empresas privadas, lideranças do agronegócio, produtores, especialistas e representantes da academia, diz o presidente.

Segundo ele, o 7º PDE tem nove temas prioritários e 11 objetivos estratégicos, oito voltados à inovação e três à melhoria da gestão e eficiência organizacionais. Ao todo são 29 metas tangíveis quantificáveis de curto, médio e longo prazo, diz. “A Embrapa é pioneira na elaboração de documentos estratégicos desde a sua criação em 1973”, afirma Moretti, ressaltando que em 1988 deu início ao processo de sistematização e elaboração de planos sistêmicos com duração de quatro anos e que traduzem e disponibilizam seus projetos de pesquisa e desenvolvimento.

“Este plano orienta e direciona os rumos para os próximos 10 anos, voltados ao desenvolvimento, sustentabilidade e competitividade”, ressalta. De acordo com ele, o 7º PDE é um guia dinâmico e permanente, alinhado com a governança, sendo seguido e acompanhado o andamento do trabalho nos próximos anos, que deve priorizar ações de pesquisa e inovação, com metas a serem cumpridas a curto, médio e longo prazos.

O presidente citou algumas das prioridades detalhadas no documento, entre elas, a agricultura de precisão (digital), rastreabilidade e logística associados aos temas da produção agropecuária e agroindustriais. “Até 2025, a Embrapa pretende aumentar em 100% o número de usuários dos aplicativos e sistemas digitais gerados pela Embrapa e parceiros”, ressalta. Segundo ele, trata-se de uma quantidade enorme de aplicativos disponibilizados através das lojas da Apple e Google, entre eles, o Roda da Produção, com mais de 20,4 mil downloads e o Zarc Plantio Certo, com 9,1 mil.

Outra prioridade é a adaptação e mitigação frente às instabilidades do clima, com estudos e alternativas para a redução na emissão dos gases do efeito estufa e captura de carbono. “Até 2025, queremos ampliar em 10 milhões de hectares as áreas de sistema de produção integrada o que deve reduzir em 60 milhões de toneladas a emissão de CO2 equivalente, através dos sistemas integrados lavoura-pecuária-floresta, na transferência de tecnologia em parceria com o setor produtivo”, disse. Conforme ele, a área de ILPF, no final do ano passado, estava próxima dos 17 milhões de hectares.

Por último, Moretti falou sobre produtividade e sistemas produtivos sustentáveis com o uso racional dos recursos naturais e insumos, buscando a redução na emissão de carbono atmosférico. “Buscamos o incremento de 20% no benefício econômico gerado pelas práticas desenvolvidas pela Embrapa e parceiros, trabalhando com o uso de bioinsumos e de recursos naturais”, explicou.

Segundo o presidente, o produtor brasileiro economizou R$ 22 bilhões ao deixar de usar insumos nitrogenados. A Embrapa disponibilizou a tecnologia do BiomaPhos, que extrai o fósforo preso no solo e o disponibiliza para as plantas, o que resulta em 10% de incremento na produção, sistema já testado em mais de 500 áreas agrícolas em todo o país.

“O novo PDE é um espelho da mudança da gestão da estratégia da Empresa, que vem buscando sua adequação governamental e também um novo espaço na agricultura com um modelo de negócio mais moderno e ágil. É coerente com a estratégia, responde ao mercado e governo, por meio de objetivos e metas claras e sinaliza modernização na gestão em busca de excelência e racionalização de custos”, ressalta o presidente.

O 7º PDE considera as transformações na gestão da Embrapa iniciadas em 2017, com destaque para o Plano de Desligamento Incentivado (PDI), iniciado em 2018 e finalizado em julho de 2020, e que possibilitará, até dezembro de 2020, uma redução de 10% da folha de pagamento, uma economia de R$ 370 milhões em salários e encargos. A partir da execução de todos os desligamentos ainda previstos e da conclusão dos pagamentos das parcelas dos incentivos do PDI, há a expectativa de geração de economia da ordem de R$ 854 milhões.

Outra frente considerada pelo novo planejamento é a informatização dos processos da instituição, envolvendo a sede e seus centros de pesquisa. O Projeto Conecta implantou o sistema ERP, mundialmente conhecido e adotado em empresas de ponta que possibilita maior agilidade e rastreabilidade e integridade das informações. A medida contribuirá para a redução dos gastos da Empresa em 10% do orçamento, além de permitir a centralização dos processos.

Para a construção do PDE foi realizada ampla consulta externa e contou com 2.358 contribuições pela internet, 36 entrevistas de consulta e 101 participantes em workshops.