Luis Fernando Verissimo, mestre da crônica e do humor, morre aos 88 anos

Luis Fernando Verissimo é autor de mais de 60 livros, que já venderam milhões de exemplares, com destaque para os best-sellers O Analista de Bagé e A Comédia da Vida Privada. (Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS)

*Com informações de Agência Brasil e G1

O Brasil se despede de um de seus maiores cronistas. O escritor, cartunista e saxofonista Luis Fernando Verissimo morreu, neste sábado (30), em Porto Alegre, aos 88 anos, em decorrência de complicações de uma pneumonia grave. Ele estava internado desde o dia 11 de agosto no Hospital Moinhos de Vento, onde permanecia na UTI.

O velório ocorrerá neste sábado, no Salão Nobre Júlio de Castilhos, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, das 12h às 18h.

Uma vida entre crônicas, personagens e música
Filho do também escritor Érico Verissimo e de Mafalda Verissimo, Luis Fernando construiu uma trajetória marcada pelo humor inteligente e pela crítica social. Criou personagens que se tornaram ícones da literatura brasileira, como o Analista de Bagé, a Velhinha de Taubaté, o detetive Ed Mort e a Família Brasil.

Autor de mais de 80 títulos, publicou best-sellers como “O Analista de Bagé” e “Comédias da Vida Privada” – este último adaptado para a televisão em 1994, numa minissérie de grande sucesso da TV Globo. Seu estilo direto e espirituoso o transformou em um dos escritores mais lidos do país.

Além da literatura, Verissimo manteve ao longo da vida uma relação íntima com a música. Apaixonado por jazz, foi saxofonista do grupo Jazz 6, com o qual realizou shows e gravações.

Do jornalismo à literatura
Nascido em 26 de setembro de 1936, em Porto Alegre, Verissimo viveu parte da infância nos Estados Unidos, onde estudou e teve os primeiros contatos com o jazz. No retorno ao Brasil, trabalhou em áreas diversas até descobrir sua vocação no jornalismo.

Em 1967, começou como revisor no jornal Zero Hora, onde dois anos depois conquistou sua própria coluna. A partir dali, consolidou-se como cronista em jornais de circulação nacional, como Jornal do Brasil, Folha da Manhã, O Globo, O Estado de S. Paulo e revistas como a Veja.

Reconhecimento e legado
Verissimo recebeu prêmios importantes, como o Juca Pato de Intelectual do Ano, em 1996, concedido pela União Brasileira de Escritores, e foi homenageado em documentários recentes, como Luis Fernando Verissimo — O Filme (2023) e Verissimo (2024). Sua obra é publicada pelo selo Objetiva, do Grupo Companhia das Letras.

Com fama de reservado, costumava brincar que não era ele quem falava pouco, mas os outros que falavam demais. Em entrevista à TV Brasil, aos 80 anos, revelou como gostaria de ser lembrado. “Gostaria de ser lembrado pelo que eu fiz, pela minha obra, se é que posso chamar de obra, mas pelos meus livros. E, talvez, pelo solo de um saxofone, um blues de saxofone bem acabado.”

Vida pessoal
Luis Fernando Verissimo era casado desde 1963 com Lúcia Helena Massa Verissimo, com quem teve três filhos — Pedro, Fernanda e Mariana — e dois netos. Tinha Parkinson e problemas cardíacos, em 2021 foi vítima de um AVC, do qual carregava sequelas.

Mesmo com a saúde fragilizada, seguiu escrevendo e publicando até os últimos anos. Em 2020, lançou “Verissimo Antológico: Meio Século de Crônicas, ou Coisa Parecida”, obra com mais de 700 páginas que reúne parte significativa de sua produção.

A despedida
O escritor deixa uma obra vasta e múltipla, que vai do humor refinado às críticas sociais afiadas, sem nunca perder a leveza. Ao falar sobre a vida, certa vez resumiu com ironia característica. “No fim, pensando bem, a vida é uma grande piada. Acontece tudo isso com a gente, e a gente morre… Que piada, né? Que piada de mau gosto.” Luis Fernando Verissimo parte, mas deixa o riso, a lucidez e a sensibilidade eternizados em suas palavras.