Fenadoce chega à 32ª edição fortalecendo a identidade cultural e o turismo de Pelotas

Feira ocorre de 15 de julho à 2 de agosto. (Foto: Rafael Takaki/Divulgação)

Para além de uma feira gastronômica, a Feira Nacional do Doce (Fenadoce) se consolidou como símbolo da identidade cultural de Pelotas. Criada em 1986 para valorizar a tradição doceira da cidade e, assim, impulsionar a economia local, a feira reúne cultura, turismo e história há mais de três décadas. Agora, a “terra do doce” vivencia sua 32ª edição. Desde quarta-feira (15), a cidade respira Fenadoce, demonstrando que participar da feira é mais do que consumir produtos, mas também estar conectado à identidade cultural de Pelotas.

Com raízes no século XIX, essa tradição nasceu durante o período do ciclo do charque, quando o intercâmbio comercial com Portugal e outros países europeus trouxe ingredientes, técnicas de produção e receitas que, adaptadas e trabalhadas pelas mulheres da região, deram origem a doces como camafeu, quindim, ninho e bem-casado. O conjunto desses saberes e modos de fazer recebeu reconhecimento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Patrimônio Cultural do Brasil, tornando a cidade uma referência a nível nacional.

Com o objetivo de preservar esse legado e ampliar sua visibilidade, surgiu a Fenadoce. A iniciativa partiu de produtores locais, em um período em que fábricas de compotas, cristalizados e goiabadas buscavam comercializar ainda mais seus produtos. Desde então, a feira deixou de ser um evento voltado apenas à gastronomia e passou a movimentar também o comércio, o turismo, a agricultura familiar, a cultura e a economia regional, cumprindo sua missão inicial.

Ao longo dos anos, a Fenadoce deixou de ser apenas uma feira local e se tornou um dos maiores eventos gastronômicos e turísticos do sul do país. Atualmente, ela atrai milhares de visitantes de diversas cidades, estados e até países. A 32ª Fenadoce será realizada de 15 de julho a 2 de agosto, no Centro de Eventos da Fenadoce, localizado na avenida Pinheiro Machado, nº 3.390. O local funcionará de segunda a sexta-feira, das 14h às 22h, e aos sábados e domingos, das 10h às 22h. O ingresso custa R$ 20,00 de segunda a quarta e R$ 22,00 de quinta a domingo. Visitantes têm direito a um doce gratuito independente do dia.

Tradição que se renova

Em sua 32ª edição, a feira aposta no tema “Doces Aventuras de Pelotas: uma jornada mágica”, valorizando o público infantojuvenil em sua programação. Entre espetáculo teatral, espaço de recreação infantil, experiências interativas e ações, a feira busca aproximar as novas gerações de sua herança, que atravessa séculos e segue sendo motivo de orgulho aos pelotenses.

Brenda vem de São Lourenço do Sul ao lado da filha e da sogra para prestigiar os primeiros momentos da feira (Foto: Clarissa Ribeiro)

O espetáculo “Doces Aventuras de Pelotas: uma jornada mágica”, que é gratuito e ocorre todos os dias no palco da Praça de Alimentação, às 15h e às 19h30, é inspirado no livro do escritor Jorge Braga, com ilustrações de Mariana Pouey. A peça conta a história dos doces da região, desde a criação da personagem Formiga Docília, passando por pontos históricos de Pelotas, até chegar à Fenadoce.

Conforme Jader Prestes, secretário de Turismo do município, a expectativa para essa edição é alta, o que reflete o objetivo do evento de contribuir para o desenvolvimento da economia. “Esperamos o melhor possível. A feira tem a tradição de movimentar intensamente toda a nossa rede de serviços, garantindo que o fluxo turístico se reverta em ganhos reais e imediatos para os hotéis, a gastronomia e o comércio”, assegura.

Entre lembranças e sabores, memórias atravessam gerações

Para Brenda Souza, de 23 anos, natural de São Lourenço do Sul, a feira foi o destino de um momento especial. A lourenciana escolheu o evento para comemorar seu aniversário, revisitar uma memória de infância e transmitir essa tradição a sua filha Micaela Souza, de 2 anos, juntamente com sua sogra, Glaucia Kreps. “Eu venho desde criança, todos os anos. É sempre bom vir e prestigiar várias atrações diferentes para quem tem filhos. Além disso, envolve muito o comércio, movimenta a economia”, diz. Na escolha do doce, Brenda ressalta que seu preferido é o bombom de morango, junto com o brigadeiro e o beijo de alemão.

Mãe e filha visitam a feira tradicionalmente ano após ano,
representando um laço afetivo entre elas. (Foto: Clarissa Ribeiro)

Em alguns contextos familiares, participar da feira anualmente é tradição e parte da história. Para Carmen Matte, de 78 anos, e sua filha, Letícia Matte, 48, prestigiar o evento em todas as suas edições contribui para a valorização desse saber doceiro da cidade. “Nós somos de Pelotas, então desde que eu era pequena viemos à Fenadoce. Com o passar do tempo, continuamos vindo. É algo que faz parte da cultura da nossa cidade, é nossa memória afetiva de família, e também acredito que precisamos apreciar os eventos do nosso município”, relata Letícia.

Carmen pontua que as novidades a impulsionam a participar de todas as edições, com “coisas que não vemos sempre no comércio. Muitos pontos somam e nos chamam pra cá”. Para Letícia, esse aspecto também é fundamental. “Eu acho que a cada ano a feira está se renovando, está melhorando, está com a estrutura melhor. Eu adorei a criação dos personagens, eu achei fantástico. Nós viemos todo ano e a gente vai seguir voltando nos próximos”, conta. Na escolha do doce, cada uma possui um gosto diferente: Letícia não vai embora sem experimentar o clássico quindim, enquanto Carmen prefere o olho-de-sogra.

Motor da economia

Para o secretário, a Fenadoce é o principal indutor do turismo em Pelotas e exerce um papel crucial na economia local. “Ela não apenas atrai milhares de visitantes que movimentam nossa rede hoteleira e de serviços, mas também exporta a nossa identidade. O evento consolida Pelotas no cenário nacional como um polo de turismo cultural e gastronômico de excelência”, reforça.

No entanto, a experiência do turismo, segundo Prestes, precisa ir além de somente ir a Fenadoce. A feira é o ponto de partida para que os espaços turísticos da cidade sejam visitados e apreciados. “A nossa estratégia é conectar o visitante do pavilhão com o nosso Centro Histórico, as charqueadas e a nossa colônia. Oferecemos roteiros integrados que prolongam a estadia e enriquecem a experiência na cidade”, enfatiza.

Para isso, a tradição doceira ocupa um papel expressivo, sendo o principal atrativo da cidade. Após experimentar o doce, a expectativa é de que o visitante se reconheça na identidade de Pelotas. “Nós utilizamos a gastronomia não apenas como um atrativo de sabor, mas como uma narrativa que conta a história da cidade. O turista é atraído pelo doce, mas ao chegar acaba consumindo a nossa cultura, a nossa arquitetura e vivenciando a verdadeira identidade do município”, afirma.

Uma feira para todos

A edição também conta com a ampliação da Feira da Agricultura Familiar, o Espaço Creator para produção de conteúdo digital e a democratização da participação, por meio de projetos como o desconto para inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), fruto do programa “Vem para a Fenadoce”, do vereador Antônio Peixoto (PSD) e a meia-entrada para moradores de Pelotas em dias específicos da semana, buscando ampliar o acesso da comunidade ao evento e fortalecer ainda mais o vínculo entre a população e a sua cultura. “Essas iniciativas garantem que a Fenadoce seja, antes de tudo, do pelotense. O desconto para os inscritos no CadÚnico e a meia-entrada para moradores democratizam o acesso, transformando o evento em um espaço de inclusão social e pertencimento”, pontua Prestes.

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