Um príncipe em Pedro Osório

José Henrique Pires licenciado em Estudos Sociais pelo ICH-UFPel, especialista em Políticas Públicas pela Universidade de Salamanca, Espanha, jornalista e radialista. (Foto: Divulgação)

Corriam os anos 20 do século passado. O governo soviético abolira todas as classes da nobreza russa.

Ex-nobres e ex-ricos que conseguiram migrar foram pra França, Bélgica, Estados Unidos, Brasil, Argentina…

Eram muitos, de famílias numerosas, dentre eles príncipes e princesas, condes e condessas que – de uma hora para outra – ficaram sem rendimentos num mundo economicamente delicado após a 1° Guerra Mundial.

Alguns tinham carteira de habilitação e foram conduzir táxis, outros foram conduzir arados, os mais letrados buscaram empregos mais estáveis, como o Duque poliglota que virou porteiro da Maison Channel, onde uma também autêntica princesa atendia na gerência.

Quem tinha habilidades manuais tratou de fazer bordados, confeccionar calçados, roupas, artigos de moda em geral.

A família Lifschitz, que seguiu esse ramo nos Estados Unidos, até hoje atua nesse mercado, usando a marca que é nome do neto do patriarca: Ralph Lauren.

Outro que saiu-se bem frente aos novos desafios foi o criador da marca de produtos de beleza Max Factor, o migrante Maximilian Factorovich.

Pois foi um desses ex-ricos que apareceu em Pedro Osório, graças a um interessante casamento com a filha de um forte estancieiro que tinha terras naquele local, a época ainda terceiro distrito de Arroio Grande.

As casas eram poucas e espalhadas, muitas feitas para veraneio, afinal desde o fim do século anterior àquele, havia uma linha férrea ligando Rio Grande a Bagé, possibilitando que as pessoas desfrutassem boas praias de água doce. Dali igualmente saiam e chegavam as diligências que, à moda dos filmes de faroeste, transladavam quem precisasse fazer “baldeação” até Jaguarão.

Nesse cenário meio xucro, com tropas de gado embarcando nos vagões dos trens, com carretas de boi recebendo cargas, desfilava o Príncipe, com seu belo cavalo rigorosamente encilhado, com aperos arrematados em reluzente prataria, qual seu rebenque de luxo, tudo obviamente disponibilizado pelo sogro. Sempre bem vestido, também era visto com a esposa elegantíssima trafegando numa carruagem negra puxada por uma imponente parelha de cavalos bem escovados.

E assim seguia a vida entre a Orqueta e Passo da Maria Gomes, até que alguém, nunca se soube quem, não suportando aquele cenário de gran monde – resolveu pesquisar aquele dandi de bons modos que circulava em meio à bagualice.

Escreveu para o Rio, fuçou através de parentes ressentidos e descobriu: na Rússia ortodoxa, o Príncipe do Passo da Orqueta já havia casado antes numa Igreja de Moscou. Não era solteiro, muito menos viúvo. Se a Revolução Bolchevique havia apartado aquele rapaz majestático de sua jovem esposa, azar dele. As pessoas precisavam saber! Foi um escândalo. Anularam o casamento brasileiro, o príncipe novamente viu-se sem um tostão – já que vivia sob a frondosa sombra do sogro – e foi obrigado a sumir daquele pedaço do mapa.

Se rumou para o Uruguai de diligência ou para Pelotas de trem ninguém sabe. A jovem gaúcha, apavorada com as acusações de bigamia que pesaram sobre o marido e as ameaças de um passe livre pelos portões do inferno (que vieram junto ao “disse me disse” que varreu a localidade), também migrou da estância sabe-se lá para onde.

Para alegria contida de alguém – talvez alguma falsa amiga – que julgou insuportável a condição social daquela jovem tão feliz no casamento, qual uma rainha, a passear aos sopros do Minuano, parecendo muito acima da designação de princesa, titulo pelo qual era conhecida.


Internacional

Desde terça-feira, o Presidente Lula e comitiva cumprem agenda no exterior.

O roteiro iniciou com reuniões no Egito e na Etiópia, ambos países integrantes dos BRICS desde este ano.

Segundo nosso Ministério das Relações Exteriores, há expectativas quanto a aprovação de novos abatedouros e frigoríficos para exportações brasileiras de carne bovina. Até este fim de semana, Lula estará na Cúpula da União Africana, na capital da Etiópia.

1 comentário

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome