Terceira via ou nova via?

Elis Radmann, cientista social e socióloga.

O mês de março será emblemático para as eleições de 2022. Se a eleição fosse uma partida de futebol, poderíamos pensar nesse mês como o momento de escalação dos jogadores. Os pré-candidatos estão fazendo as contas, escolhendo o partido que mais valorize o seu “passe” ou negociando apoios, coligações ou acordos de longo prazo, batizados como federações.

A tendência da eleição está sendo guiada pela intenção de voto nos candidatos que são os francos favoritos para disputarem o segundo turno, o ex-presidente Lula e o presidente Bolsonaro. As pesquisas eleitorais nacionais indicam que esses dois candidatos somam 60% da intenção de voto espontânea e 70% da estimulada.

Por esse indicador, a análise preliminar sinaliza que não há espaço consistente para uma terceira via, para um candidato decolar como alternativa a essa polarização. Uma das premissas é a cristalização do voto, demonstrada pela aproximação entre a intenção de voto espontânea com a estimulada.

Cada novo jogador que se apresenta para a disputa tenta se “autodenominar” como terceira via, como o candidato capacitado para quebrar a polarização entre Bolsonaro e Lula. Estes candidatos apostam na rejeição individual de Lula e Bolsonaro.

Por princípio, a terceira via se constituiria como uma proposta alternativa ao radicalismo da esquerda e/ou da direita, como uma visão ponderada da política e da economia. Nesse momento, para a maioria dos eleitores, esses candidatos não se diferenciam efetivamente de Lula ou Bolsonaro.

Os diagnósticos comportamentais realizados pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião têm se dedicado a compreender a percepção dos eleitores gaúchos sobre a possibilidade de uma terceira via. A sistematização de alguns desses aprendizados nos mostra que:

1) O eleitor médio, que não tem ideologia e decide o processo eleitoral, não simpatiza com o termo “terceira via”. Esses eleitores associam o termo clássico de disputa política a um desprestígio, a alguém que quer se destacar, mas não tem a mesma experiência ou capacidade do primeiro ou do segundo lugar.

2) Metade dos eleitores que intencionam votar em Lula ou Bolsonaro poderiam votar em uma “NOVA VIA”, uma “NOVA OPÇÃO”, em um candidato que se colocasse como “uma luz no fim do túnel”, como um novo caminho.

3) Quando pensam no candidato que poderia representar uma nova via ou um novo caminho, fazem a projeção com base nas necessidades do país, no atual contexto econômico e social em que vivem. Almejam por um candidato que mostre que é possível fazer uma gestão economicamente eficiente e com sensibilidade social.

4) Indicam que o candidato precisa ser experiente e acreditam que a administração pública deveria se inspirar na gestão privada. Esperam que o futuro presidente tenha firmeza e atitude para manter as suas propostas e garantir o interesse público. Os entrevistados lembram que pulso firme não pode ser entendido como centralização ou autoritarismo.

5) Há expectativa por um candidato que tenha capacidade de diálogo, que consiga unir a população e colocar o país no caminho do desenvolvimento econômico, social e tecnológico, atendendo a maioria e respeitando a minoria.

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