Santo do Pau Oco

O colunista Paulo Souza.

Vocês conhecem algum?

Um amigo meu esteve com a sua família em viagem para conhecer o Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, popularmente conhecido como ruínas de São Miguel, integrante dos Sete Povos das Missões. Ficaram encantados com tudo, com a representação das guerras guaraníticas com a presença de Sepé Tiaraju, que realmente emociona; mas durante a visitação o guia mostrou as esculturas em madeira de vários santos e chamou a atenção de que eram “ocos”, sendo que o guia explicou que haviam várias versões mas a que eles mais conheciam era de que os santos eram ocos para esconder os índios quando os espanhóis, ou por ora os portugueses, vinham para capturá-los.

Santo do pau oco é uma expressão popular brasileira utilizada para designar um indivíduo de caráter duvidoso, com ações fraudulentas, uma pessoa mentirosa, falsa ou hipócrita.
Esta é uma expressão bastante típica e usada no Brasil há séculos, sendo que atualmente o seu sentido denota o nível de falsidade ou hipocrisia de alguém. Exemplo: “Não se iluda com a simpatia daquele rapaz, ele é um santo do pau oco”.

Em seu sentido figurado, esta expressão também serve para indicar que determinada pessoa aparenta algo que não é, iludindo todos a sua volta.

As expressões populares são sempre muito curiosas e criativas.

Há imagens de “santos do pau oco” também em Museus e Acervos de Arte Sacra recolhidos das regiões onde haviam Missões Jesuíticas, no Rio Grande do Sul. Registros históricos atribuem aos índios, sob a orientação dos padres Jesuítas a autoria dessas estátuas entalhadas ou esculpidas em madeira tendo seu interior oco ou com orifícios que permitiam esconder dinheiro ou valores para serem transportados, driblando o fisco ou ladrões e assaltantes.

Essa versão é contestada por outros historiadores que dizem que os padres utilizavam-se dessas estátuas para catequizar os índios. Eram muitas vezes esculpidas em tamanho maior, sendo possível um padre ficar escondido dentro delas e impressionar os índios que acreditavam que tais estátuas falavam e assim eram doutrinados com maiores argumentos.
A criatividade popular não deixa por menos: quando dizemos que alguém é um “santo do pau oco” estamos identificando uma pessoa fingida, dissimulada, falsa ou caloteira. Enfim, aparenta ser uma coisa e é outra diferente!

Espero que tenham gostado desta matéria que conta um pouco das nossas crendices.

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