
Em todos os idiomas, há um respeitável acervo de frases feitas, que podem e são usadas naturalmente, reforçando qualquer conversa coloquial.
Coisas como “roupa suja se lava em casa”, “mentira tem perna curta” e tantas outras que já se tornaram clássicas.
Tenho ouvido várias em conversas de café, tratando de alianças políticas temporárias aqui e ali. Sem querer se aprofundar, mas sem deixar passar a chance de dar sua opinião, disse, esses dias, um amigo:
“Papagaio que acompanha joão-de-barro vira ajudante de pedreiro”, ao analisar o cenário partidário norte-americano que, ao que parece, ganhará um novo partido nacional após um rompimento político.
Um segundo amigo, na mesma roda de conversa, respirou fundo e exclamou: “É verdade. Afinal, passarinho que acompanha morcego acorda de cabeça pra baixo”.
Sem citar nomes, usando clichês, ambos fizeram sua interpretação política internacional e logo seguiram para outros assuntos.
Esses dizeres populares, em latim, viram máximas eruditas — e lá estão eles, estampados em brasões de instituições vetustas. É só procurar.
Vejam o caso do famoso “o que não mata, engorda”, que vem diretamente da sentença latina hoc non pereo, habebo fortior me — o antigo “o que não me mata me fortalece” —, acrescido da gordura dos tempos.
Como nosso idioma é neolatino, continuamos usando, no cotidiano, expressões que se ouviam em Roma nos provérbios ancestrais. Quando dizemos “antes tarde do que nunca”, repetimos utilius tarde quam numquam, que significa exatamente a mesma coisa. O latim sempre confere uma espécie de moldura dourada a qualquer expressão coloquial.
Mas pode dar confusão. Como naquela ocasião em que haveria uma solene homenagem e ligaram para um motorista, pedindo que fosse buscar o doutor honoris causa, hospedado no belo Tourist, à beira da barragem Santa Bárbara. Em seguida, ele ligou de lá para a reitoria: já haviam procurado em todos os quartos do hotel e não havia nenhum doutor Honório hospedado por lá. A locução latina, dita ao telefone, deu no que deu.
Mutatis mutandis, fico por aqui.
Como dizia o poeta Horácio, Carpe Diem (que já deu nome a um ótimo restaurante em Pelotas).
Aproveitem o dia!



