Ponto e vírgula

Temporada de compras
Começou a temporada de compras. Não pense você, leitor, que é liquidação de artigos de inverno. Não é nada disso, mas sim tudo o que pode ser comprado com recursos de emendas parlamentares.
Quem adora essa temporada são os assessores dos deputados e senadores. São fotografias que não acabam mais: foto com presidente da república, prefeitos, vereadores, comunidade e até com criança que ainda não vota. Se fosse no tempo do filme – os mais antigos sabem do que estou falando -, um rolo com 36 poses seria muito pouco.
Temporada de compras 1
Não vou falar da emenda parlamentar como moeda de compra de apoio político, até porque o Congresso está pouco se importando com o que pensam aqueles que discordam desse balcão de negócios. Contudo, quero alertar que os deputados estaduais e federais, além dos senadores, demonstram mais preocupação com as fotografias e com o ganho político do que com os recursos e o benefício dos mesmos para a comunidade.
Faço tal afirmação por não entender porque o governo federal determina que a Caixa Econômica Federal fiscalize os projetos executados com emenda parlamentar. Os prefeitos são fiscalizados pelo Tribunal de Contas da União, Tribunal de Contas do Estado, Ministério Público, Câmara de Vereadores e pela própria comunidade.
Temporada de compras 2
Nunca vi, li ou sequer ouvi um deputado ou senador reclamar de que a Caixa Econômica Federal cobra valores que chegam até 11% para fiscalizar um projeto que por sua natureza política e jurídica já possui outros órgãos fiscalizadores, como citei anteriormente.
Nunca vi, li ou sequer ouvi uma notícia produzida pelos deputados, senadores, prefeitos e vereadores dizendo a emenda parlamentar de fulano de tal é R$ 300 mil, mas chegará ao município R$ 270 mil. Todos corporativamente omitem estas informações, porque o prefeito, muitas vezes, tira do caixa livre da prefeitura e completa o valor do projeto.
Temporada de compras 3
Vossas Excelências, senhores (as) deputados (as) e senadores (as), por acreditar que tão cedo não verei o fim dessa relação espúria (significado de espúria = que se opõe à ética), representada pela emenda parlamentar, peço-vos, apresentem um projeto de lei onde o valor total da emenda tenha como destino o município, sem custos de fiscalizações, para que a população possa acreditar nos valores citados em notícias produzidas por vossas excelências. É um simples compromisso com a informação.
Obrigado a minha fonte, um prefeito da região.
Metade oposição
Para quem conhece as acirradas disputas políticas em Arroio Grande, pode-se dizer que a política é uma caixinha de surpresas. Dos quatro vereadores que pertencem a bancada do PDT, dois votaram a favor do Progressistas (antigo PP), diga-se único e maior rival político, autorizando o Executivo a contratar empréstimo próximo de R$ 4 milhões para investimentos em infraestrutura da cidade.
Vamos pensar!
Tal atitude política pode ser interpretada como evolução nas relações políticas em prol do município ou será que a velha rivalidade política ajoelha-se diante da atual gestão e suas realizações. Contudo, pode ser um sinal de aproximação política para futura mudança de sigla. Ano que vem teremos eleições!

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome