Revendo os apontamentos na minha agenda, reparei que anoto coisas que tenho a fazer e outras tantas que quero realizar.
Estabeleço dois paralelos distintos, mas que se situam em linhas fiéis, um ao lado do outro.
Penso que a finalidade das agendas é essa mesma: assinalar o que temos, por obrigação e responsabilidade, que efetivar e, também, aquilo que gostaríamos de fazer com prazer.
Então, se anotarmos os nossos sonhos ao lado da realidade, talvez as paralelas se equilibrem a ponto de permitirem que consigamos tornar verdade algum deles.
Assim é com a vida nesse universo.
Custei muito a entender que existem dois mundos paralelos. E não se trata de ficção nem de mirabolante imaginação de um cérebro fértil.
Existem sim, as paralelas bem delineadas. Um mundo que vemos e outro que intuímos, mas que é tão real quanto o primeiro.
Aprendemos, desde cedo, a usar todos os sentidos como questão de sobrevivência. Pouco, ou quase nada, nos falam sobre o sexto sentido (como se esse fosse dispensável e inútil).
Guardado o respeito por tudo o que me ensinaram ser proibido, ouso enveredar pelo fascínio do invisível.
E, quando o faço, compreendo as minhas vivências com maior nitidez.
Se eu tivesse a coragem de dar vazão ao desconhecido antes, por certo, teria vivido melhor, com mais flexibilidade e menos radicalismo.
Despojada dos meus preconceitos, me encontro com meu sexto sentido, com minha intuição e, paralelamente, com os outros cinco sentidos.
Tornam-se cristalinas todas as vezes que deixei o “outro lado” se manifestar.
Tudo se harmoniza e sereniza porque o caminho, por entre as paralelas, fica bem claro e perceptível.
Tudo é vida. Nada se acaba. As paralelas traçam uma rota que não tem fim.
Aproveito a viagem e, no ato de escrever, sigo registrando no diário de bordo, as aventuras
do voo, sem instrumentos, sem piloto automático.
Aprendi a planar ao sabor da brisa na companhia de arcanjos.





