Ainda ontem, conversava com dois amigos em um restaurante à beira-mar. Um deles era de São Lourenço e eu, sendo de Jaguarão, vizinhos próximos, portanto, de lindos tempos da Zona Sul. Uma brisa agradável soprava a noite de Itapema.
Vários assuntos, quase que simultâneos, vinham à baila, exigindo aquele saudável esforço para que minha opinião sobre a deles, vez que outra, tivesse de, educadamente, dar um recuo estratégico, pelo bem da nossa boa convivência em companhia tão agradável.
Alguns temas realmente exigem um cuidado maior em sua abordagem e divagação. Por isso, quanto mais evitarmos política e religião, melhor e mais prudente. Em nossa faixa etária, assuntos íntimos tornam-se embaraçosos; por isso, é facultativa a sua presença em tais ocasiões.
Mas, de repente, eis-nos a falar sobre corrupção. Cada um de nós deve ter apontado, no mínimo, mais de dez nomes de autoridades, temporárias ou vitalícias, que incorrem nesse crime. Alguns bem próximos de nós, vizinhos inclusive; outros, nos altos escalões dos três Poderes, que a imprensa alardeia aos quatro ventos serem inocentes até prova em contrário.
Aí sempre tem um amigo mais questionador, misto de filósofo e polemista convicto, que vem com essa:
— E nós? Somos realmente cartas fora do baralho? Ou seremos farinha do mesmo saco?
Pronto, colocou nossa integridade moral no ventilador. E muitos princípios que defendemos com unhas e dentes, como paladinos da honestidade raiz, veem-se diante de um dilema que nos faz tão iguais a todos, embora admitamos que não.
Essa constatação vem seguida de uma pergunta que, tenho certeza, você também já se fez mais de uma vez:
— Será que sou tão íntegro como me considero, ou assim sou porque ainda não tive uma proposta concreta que me trouxesse vantagens suficientes para repensar minha maneira de ser e de pensar?





O grande Juca Chaves contava que a bordo de um avião perguntou à jovem ao seu lado se ela dormiria com ele por um milhão de dólares. Ela sorriu positivamente. Então ele perguntou se ela dormiria por cem reais. Ela disse: – Você acha que sou puta? No que ele retrucou – Isso já foi respondido na questão anterior.