O sonho de uma sociedade inclusiva

Manoel Jesus, educador. (Foto: Divulgação)

Na semana passada, um grupo de mães de autistas reuniu-se em frente ao Tribunal de Justiça do Estado chamando a atenção para o julgamento sobre a lista de procedimentos da cobertura obrigatória por planos de saúde no Brasil. A definição regula a obrigação em cobrir tratamentos e procedimentos. A mobilização é nacional, já que o julgamento esclarece se tratamentos e remédios devem seguir na lista ou não. Com a perspectiva de impedir atendimentos futuros, bem como interromper aqueles que estão em andamento.

Hoje, a Justiça decide depois que pacientes ou familiares acionam a solicitação de cobertura de procedimentos que não estão na lista. Normalmente, são caros e contínuos, colocando famílias em dificuldades de pagar por um tratamento que propicia o controle, a melhora na qualidade de vida e, em muitos casos, a sobrevivência dos pacientes. Pela lei que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA), esta já é uma obrigação constitucional do Estado.

Fiz resumo do texto apresentado em jornais da capital, porque o problema é maior do que esta reivindicação básica. Quem tem familiares ou amigos que cuidam de um especial, seja um autista, um portador da síndrome de down ou qualquer outro fator que o faça diferente, sabe o quanto estas pessoas têm sido incansáveis em batalhar por um lugar ao sol, o seu direito de respirar cidadania. Infelizmente, é peregrinação que se transforma em mendicância, mas que deveria ser o respeito a um direito conquistado.

Como em casos concretos, em especial a educação. Autistas matriculados em escolas particulares ou públicas devem ser acompanhados por monitores especializados. Necessitam de atenção que o professor apenas, em sala de aula, não consegue dar. As escolas particulares tem se desdobrado mas conseguem contratar e oferecer o profissional auxiliar. No caso da escola pública, pais e responsáveis peregrinam de porta em porta sem conseguir, na maior parte das vezes, um atendimento básico e necessário.

Recentemente, acompanhei depoimento de pessoa que falava a respeito do racismo. Fiquei pensando que a distinção de cor é um elemento que não se conseguiu vencer, mas também se torce o nariz para o pobre e o diferente. O preconceito está entranhado na nossa cultura utilitarista, consciente ou não. Não creio que se encontre alguém que, em sã consciência, reconheça, mas é comum ouvir em círculos restritos que “deveria saber o seu lugar”, “foi Deus quem quis assim” ou “é um doentinho, um coitadinho”.

É o sonho de uma sociedade inclusiva, que reivindica o cumprimento da lei. Muitas leis são feitas no ardor de discursos com pretensões político-eleitorais, que não encontram ressonância na prática. Uma injustiça praticada contra o futuro de um ser humano, assim como dos pais que somam ao seu dia a dia uma luta cansativa e inglória. Enquanto a sociedade os segrega, batalham pela consciência de que as crianças que não aprendem da forma convencional precisam, apenas, de carinho para aprender do seu jeito…

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome