O chapéu da liberdade

José Henrique Pires licenciado em Estudos Sociais pelo ICH-UFPel, especialista em Políticas Públicas pela Universidade de Salamanca, Espanha, jornalista e radialista. (Foto: Divulgação)

Símbolo de liberdade dos gaúchos desde a Revolução Farroupilha, integrando a Bandeira do RS desde 1891, o “barrete frígio” volta a or­dem do dia após ser o escolhido para dar vida aos mascotes dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos deste ano, na França.

Para quem não lembra, é aquela boina vermelha (boné, carapuça ou gorro) que está no centro de nossa bandeira gaúcha, na ponta de uma espada de ouro, entre um ramo de fumo e outro de erva mate.

Símbolo adotado antes no continente europeu como uma das marcas da Revolução Francesa, tem origens milenares e nos remete à Turquia, onde ficava a Frigia.

O barrete, vindo daquela região central da Ásia Menor, virou insígnia da liberdade, pois usado pelos republicanos franceses que tomaram a Bastilha, simbolizavam os antigos escravos libertos na Grécia e em Roma.

A história dessa carapuça vermelha é praticamente interminável, merece ser aprofundada por quem tiver interesse, assim como a his­tória da Frígia.

Midas, por exemplo, o rei que transformava em ouro tudo que tocava, era um Frígio!

Há inúmeras utilizações simbólicas do barrete, seja na Maçonaria, em bandeiras de países e Estados, e em cunhagem de moedas, bra­sões, insígnias partidárias (quem lembra o antigo símbolo do Partido Libertador?)

Os novos e simpáticos gorrinhos franceses receberam o nome de “phiryges” e serão destaque nos jogos Olímpicos e Paralímpicos de Paris, que se iniciam em julho, na França.

Creio ser uma oportunidade que não devamos desperdiçar: um símbolo também nosso agora é mascote olímpico.

E que Deus nos ajude e que Midas não nos desampare.

*José Henrique Medeiros Pires é Licenciado em Estudos Sociais pelo ICH UFPel, Especialista em Políticas Públicas pela Universidade de Salamanca, Espanha e jornalista e radialista