Apesar de e a despeito da evolução do mundo virtual, o mundo real mantém seus costumes.
A Feira do Livro acontece na cidade. Incrustada na praça principal, misturada à beleza arquitetônica que a rodeia e ao verde da Natureza, a celebração do livro palpável ao toque das mãos e dos olhos desperta nos visitantes a vontade de ler.
Os livros impressos e expostos em prateleiras e pilhas desfilam fascinantes estilos literários em títulos e capas dos mais diferentes feitios e tamanhos.
Pequenos grandes universos de letras, palavras e frases pontuam pensamentos e emoções entre uma página e outra. E a sede e fome da leitura se estende a todas as idades. O deslumbramento da descoberta do território das palavras escritas no papel é comum a todos os que colhem os frutos do gosto pela leitura semeado desde a infância. Visível na avidez dos olhares que vagueiam pelos diversos estandes da Feira do Livro.
Foi um olhar assim que percebi numa menina, algum tempo atrás. Ela adora livros e não dispensa a leitura de algum deles antes de dormir. É associada à Biblioteca Pública da cidade onde vive e, uma vez por semana, vai até lá, escolhe seis livros e os leva para casa com o cerimonial de quem carrega tesouros.
A menina é hoje uma adolescente que devora livros. Ela foi alfabetizada na língua inglesa e lia cada palavrinha como se saboreasse uma iguaria rara. De igual forma, sem perceber, ela reconhecia a grafia da língua portuguesa em livros que lhe presenteei. Pronunciava os sons das sílabas, lenta e dedicadamente. Recompensador assistir a colheita. Atualmente, ela é capaz de ler nos dois idiomas.
Se a ela fosse dada a oportunidade de visitar a Feira do Livro em Pelotas, eu não perderia a chance, por nada nesse mundo, de partilhar a alegria que se apossaria do seu sorriso. Eu não teria mãos suficientes e, muito menos, recursos necessários para adquirir e carregar todos os livros que ela escolhesse, mas o prazer de vê-la mergulhando na magia das histórias expostas em exemplares no entorno do chafariz centenário teria o valor merecido e justo.
As gerações se identificam nessa vontade de ler. Nascidas em épocas diversas, crescendo em variadas circunstâncias, compactuamos de um idêntico interesse.
Convivemos com o mundo virtual que nos oferece a rapidez e a praticidade, porém, não dispensamos o manusear das páginas inebriantes do livro real, postado à cabeceira da cama.
E que permaneçam as leituras antes de dormir para embalar os sonhos. Afinal, leitores e escritores se miscigenam no universo da palavra escrita e lida.
A palavra escrita é uma espécie de casulo; a palavra escrita que vive, através dos olhos de quem a lê, se torna a borboleta libertada que voa para onde queira ao sabor da brisa do imaginário.
O espaço do imaginário é ilimitado. Os livros testificam essa vastidão de ideias que se delineiam em palavras.
E a Feira do Livro é a festa das palavras! Que venham os convidados para o júbilo dos anfitriões. Que livros continuem a ser escritos e lidos para deleite de todos.





O livro impresso sobreviverá a todas as modernidades…