“Ipê do Amor” – com gostinho de Primavera…

Manoel Jesus, educador.

Gosto dos ipês que colorem praticamente toda a Primavera. Aquele tronco delgado ostenta uma coroa de flores que pode ser amarela, branca, rosa, roxa ou, imaginem, já temos até um ipê verde! A flor, em forma de cornetinha, desabrocha de junho até o final do ano, e se transformou em símbolo nacional. Somente começa a fenecer quando, ao iniciar novembro, chegam os ventos de Finados. Por ruas e parques, vê-se uma abundância de cores, que deixa, enfim, um tapete digno de que se desfile por ali a energia e o vigor que sonham em despertar com o gostinho de Primavera.

Pois neste mês de outubro, tradicionalmente utilizado para conclamar as mulheres a fazerem suas revisões de mamas, como prevenção de um câncer que tem reais possibilidades de cura quando detectado e tratado com a prevenção, está sendo lançado o projeto “Ipê do Amor”. A parceria entre a Prefeitura de Pelotas, o Instituto Buquê do Amor e Ciclos Saúde Singular está fazendo uma “negociação”… é bem simples, você contribui com o projeto que estimula os exames e vê a renda revertida para a aquisição do material necessário às mamografias. É ou não é um baita negócio?

O Outubro Rosa tem forma e densidade. Com a efetiva participação de um número cada vez maior de mulheres (os homens têm o seu Novembro Azul, que está longe dos resultados conseguidos por elas…), constitui-se em marco para que se possa ver a luz no fim do túnel. Evitar a perda de vidas com ações relativamente simples, mas que necessitam de conscientização e adesão. Não é apenas a decisão da mulher, mas do casal, da família, do grupo de amigos… A palavra de estímulo que não se cala diante da atitude negativa, mas insiste em preservar a vida de quem se ama.

Em tempos de “modernidades” para uns e apatia para outros… o que se faz necessário é exatamente o objetivo da campanha: compartilhar informações, não apenas do câncer de mama, mas também do câncer de colo do útero. Reconhecimento de que a doença não é mais sentença de morte, mas luta a fim que todas tenham acesso ao diagnóstico, tratamento e medicações para reduzir o impacto sobre o corpo e a letalidade. A informação, acompanhada da conscientização, é a moeda de ouro para que se pressionem instâncias governamentais do quão ainda estamos longe dos cuidados ideais.

Esta é uma luta que não dói apenas em quem a vive. De uma forma ou de outra, todos os que estão próximos acabam sendo afetados. A fragilidade de quem inicia um tratamento vem acompanhada de medos e incertezas que, querendo ou não, transpiram e afetam a família e o grupo de amigos. Uma “nova normalidade” vai depender do entendimento de que não há culpas no que se passa e sequer uma maldição que se abateu sobre aquela pessoa. Pais, filhos, companheiros (as), irmãos precisam de informação e acompanhamento para se transformar numa fortaleza de amor e de aconchego.

“Ipê do Amor” com gostinho de Primavera. Enxertos serão “trocados” por uma contribuição mínima de 50 reais. Quem colabora recebe mais do que uma muda, coloca no pátio ou na frente da casa um símbolo de solidariedade. As árvores que se desenvolvem a partir deste ano são o compromisso de quem se trata, junto com amigos e familiares, de que cada novo centímetro agrega a certeza de que se vai vencer. Não desaparecem as dores e os incômodos do tratamento, mas o fardo se torna mais leve porque vem acompanhado de carinho e concretiza um sinal de esperança!

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