Evite se deixar iludir pelo brilho falso das imitações. Nada como o original, o genuíno, o verdadeiro.
Tudo o que é belo parece predestinado a ser copiado. Desde uma obra de arte criada pelo homem até um mineral precioso derivado da Natureza. Isso se deve, quase sempre, ao fato de que todas essas preciosidades se valorizam tanto, chegando a ser quase impossível adquiri-las pelo preço inacessível que lhes é conferido. Daí, como alternativa para suprir o desejo de possuir alguma delas, surge as imitações das mais variadas.
Inegavelmente, muitas chegam a surpreender porque se torna difícil admitir que sejam falsas, tão similares e semelhantes se tornam.
Acho até que copiar é uma arte. Ocorre que a reprodução em massa desfigura a qualidade imprescindível: a originalidade, que faz um objeto único entre todos. Uma pintura de Da Vinci, uma escultura de Rodin, um diamante lapidado, uma pérola, raros patrimônios facilmente copiáveis, entretanto, inigualáveis.
E me vejo comparando essa abordagem com uma outra proliferação de imitações que circula no mundo moderno: a “imitação” dos sentimentos. Falsos afetos, arremedos de amizade, cópias mal feitas de amor, emoções adulteradas, simulados gestos, palavras fingidas.
Pode ser que a angústia generalizada, que aborda o ser humano da atualidade. seja a constatação de que o verdadeiro deixou de existir em seu caráter distintivo, dando lugar a imitações indiscriminadas, que são a regra comum.
E a cantiga popular vem acrescentar um dado a mais nessa página: “O anel que tu me deste era vidro e se quebrou, e o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou”.
Entre imitações de diamantes e de afetos, ainda vale mais a autenticidade que tanto buscamos e que, talvez, até tenha deixado de existir, dentro de nós mesmos. Porque fomos esquecendo o real, o genuíno. Fomos nos contentando com o pouco, com as cópias oferecidas que nos chegaram às mãos da alma.
Tão misteriosos são os caminhos que as emoções escolhem para se deixarem levar que, na nossa posição de simples humanos, acabamos trocando o certo pelo duvidoso, confundindo o real com o imaginário.
Recuse falsas imitações na sua vida afetiva. Proteste contra os simulacros que rondam as relações. Rejeite a tendência a se habituar e a achar mais fácil aceitar cópias de sentimentos por serem tão raros os verdadeiros. E, além disso, sentimentos não se compram em loja de departamentos ou feiras de arte como se fossem objetos fabricados em série, reproduzidos de uma matriz original. Sentimentos não são como filmes reproduzidos em cópias, distribuídos em cinemas e colocados no mercado para locação. São únicos.
Acredito que, ainda e apesar, existe o original e continuo a buscá-lo na essência de tudo o que sinto. Desejo firmemente que cada vez mais um maior grupo de adeptos se junte a esse ideal, recusando imitações.




