“Herói ou vilão, ninguém queria Bento Manoel como inimigo”

Decisivo no início da Revolução Farroupilha, Bento Manoel logo abandonou os farrapos e se tornou, no seu mais temível inimigo, autor da prisão de Bento Gonçalves. Depois voltou às fileiras farroupilhas para, em seguida, voltar a traí-los.

Sem dúvida, era um baita estrategista

Veja a batalha da Ilha do Fanfa, em que ele prende o Bento Gonçalves. Meses depois ele prende o próprio presidente da Província a serviço do Império, o marechal Antero José Ferreira de Brito. Ninguém queria ter Bento Manoel como inimigo.

Um personagem desconhecido

Um personagem fascinante. Fala-se muito na conduta dele no Decênio Farroupilha, pois desde 1801 ele participou das guerras. Antes dos 40 anos, já era coronel, comandante de forças do império. Aos 17 anos, alistou-se como soldado no regimento de milícias de Rio Pardo, em Caçapava do Sul. Já como alferes, casou com a filha do estancieiro mais rico do município. Em 1823, chegou a coronel. Como recompensa de suas vitórias sobre os uruguaios, recebeu grandes extensões de terra na região de Alegrete.
Elegeu-se deputado para a Assembleia Provincial, em 1835, junto com Bento Gonçalves, cinco anos mais moço que ele.
Era quase analfabeto, mas foi melhorando seu texto ao longo do tempo. Foi dono até de jornal em Porto Alegre, “O Justiceiro”, redigido pelo filho Sebastião Ribeiro, que estudou em São Paulo e praticamente ensinou o pai a escrever.

Politicamente como ele seria definido?

Ele declarava apoio aos farroupilhas, mas era um entusiasta do Império. Dirigia-se “a meu amado imperador”. Em 1831, uma carta escrita em Montevidéu ao Império, denunciava que no Uruguai não se falava em outra coisa a não ser na ideia de separar a Província do Rio Grande e que ele, o coronel comandante do regimento de milícias Bento Manoel Ribeiro, era contra essa posição separatista.

No entanto, aderiu ao movimento… em que momento ele virou a casaca?
Ninguém confiava nele, mas todos preferiam estar ao seu lado nas batalhas. Ele ganhava no grito. E quem foi prendê-lo, ele prendeu antes. E quem foi contratado para matá-lo, ele comprou. O “Dente Seco”, famoso capanga matador de Quaraí, foi contratado por 15 onças de ouro pelos Batistas, de quem Bento Manoel roubou campo e gado. Ao encontrar “Dente Seco” na sua fazenda, ele ofereceu 30 onças para o matador e salvou a vida.

Em que momento ele virou a casaca de novo?

Em 1839, ele começa a negociar a sua anistia com o Império. Escreve para o Império pedindo anistia para parar de lutar e cuidar unicamente de seus negócios. A anistia chega, mas no momento em que estão juntos o Bento Gonçalves, o Netto e outros oficiais. Ele lê e rasga o documento. Mas depois pede uma segunda via e assina. Era um artista. A frase emblemática da vida de Bento Manoel foi proferida pelo seu filho, Sebastião Ribeiro, ao amigo Sá Brito, nas ruas de Alegrete: “Lamento muito a atitude de meu pai passado a segunda vez para os farroupilhas e nem a água do rio Ibirapuitã vai lavar a honra da nossa família”.

Bento Manoel chegou a lutar contra Rosas

Foi a última guerra dele. Já velho e doente, em 1851. Caxias chamou para comandar uma divisão das forças imperiais contra os argentinos de Rosas. Quando Caxias precisou se afastar para negociar com Urquiza, nomeia Bento Manuel comandante do Exército brasileiro. Aí, logo depois disso, ele morre.

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