Eleição municipal de 2024: tendência de continuidade ou mudança?

Elis Radmann, cientista social e socióloga.

Na maior parte das pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião, verifica-se que há uma tendência de mudança natural que está presente no desejo e no imaginário dos eleitores.

A investigação do fenômeno tem indicado que o conceito da tendência de mudança não está necessariamente associado à mudança do atual Prefeito ou de seu grupo político. O eleitor está dizendo que precisa haver uma mudança na forma de governar.

O conceito de mudança está associado à percepção de que um governante precisa conhecer, com propriedade, as necessidades e as “dores” da população e ter a capacidade de apresentar soluções para a melhoria dos serviços públicos.

Os eleitores esperam que as Secretarias Municipais tenham metas a cumprir, utilizem a tecnologia disponível, sejam mais ágeis, menos burocratizadas e que atuem para melhorar a vida cotidiana da população, cuidando da cidade, dos bairros e das pessoas.

Em outras palavras, o eleitor está dizendo: “a principal mudança está no reposicionamento dos políticos, que precisam entender e respeitar a população!”. “Não importa quem seja o Prefeito, importa que ele faça diferente, faça as coisas funcionarem e que ele cumpra o prometido”.

Mudança, para o eleitor, é uma palavra que ecoa em sua alma. É uma palavra que motiva a sua esperança e dialoga com sua crítica ao funcionamento dos serviços públicos. Uma resposta à sua decepção com a política, com o desejo de superação de suas mazelas. Uma tentativa de diminuir a sua indignação.

O eleitor não está pedindo que se mude um político, mas que mude a prática política. O eleitor não está pedindo que se troque um partido, mas que se altere os conchavos partidários que beneficiam os próprios políticos. O eleitor não está indicando que mude um nome, mas que se ressignifique a gestão pública.

Há muito tempo, o eleitor pede uma mudança básica: que os gestores públicos façam funcionar o que não funciona, façam andar o que não anda.

A mudança que o eleitor deseja está associada a uma revisitação de como as coisas são feitas. O eleitor está dizendo que “gostaria que os velhos problemas tivessem novas soluções” ou melhor, tivessem efetivamente uma solução.

Entretanto, o eleitor não é bobo e sabe calcular custo versus benefícios, do seu jeito é verdade, mas sabe!

Se a administração municipal de uma cidade está indo bem, se os serviços são entregues com qualidade, se há novos projetos em curso, se a cidade está sendo requalificada e existe uma visão de futuro, o eleitor olha para os nomes que estão promovendo a mudança e avalia as vantagens dessa troca.

Na prática, se o governo estiver indo bem e se as propostas dos adversários não forem consistentes, com uma forma mais eficiente de governar, a tendência de continuidade poderá prevalecer em detrimento à mudança.

Na atual conjuntura, o eleitor quer a mudança, mas teme que as possíveis mudanças resultem na troca de seis por meia dúzia. O eleitor sabe que como está não pode ficar, mas tem muita dúvida sobre a mudança desejada e sobre a viabilidade dessa mudança, fazendo com que as campanhas eleitorais de diversas cidades sejam muito competitivas.

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