Chegou! O mês do fim e da véspera. Trinta e um dias de arremate e expectativa.
Quase todos estão por demais atarefados com jantares, festas de amigo secreto (que não é tão secreto), exames, arrumações natalinas e, também, compras de presentes, quando o dinheiro permite. É um atropelo de horários e compromissos no engarrafamento típico dessa época do ano.
Dezembro tem uma fisionomia bem distinta e se sobressai dentre os outros meses.
Apesar de significar comemoração, existe uma certa melancolia o envolvendo. E essa tristeza nada mais é do que decorrência da despedida que se avizinha.
Despedida é coisa difícil, árdua e posso até ousar dizer que é a tarefa mais dolorida que temos de executar.
Nossos pais nos ensinam quase tudo: andar, falar, escrever, pedir, agradecer, somar, dividir, diminuir, multiplicar, saciando a nossa ávida curiosidade de aprendizes. Mas dizer adeus para nunca mais a gente vai aprendendo com os acontecimentos, a contra gosto e a força, pela vida afora. E o danado disso é que parece que nunca aprendemos. Somos reprovados constantemente nas ocasiões em que temos que exercitar essa empreitada.
Dar adeus ao ano que acaba e que não mais voltará – ao menos, com as mesmas situações, oportunidades, fracassos, dores, alegrias, esperanças – tem um gosto amargo de desenlace.
Enfrento esse período a minha maneira. Vejo justificadas as tentativas de driblar a sensação de despedida com o meu conhecido hábito de enfeitar a casa para o Natal.
LUZES, árvore, presépio, AÇÃO!
E o espetáculo se efetiva: velas, figuras de Papai Noel, anjos, fitas, sinos, guirlandas. Natal Luz por fora e por dentro.
Ademais, tenho que comemorar o privilégio de mais um dezembro na companhia dos que amo, presentes e ausentes. A lembrança de todos os dezembros está efervescente, mesmo com a falta de alguns personagens, porque cada um deles deixou sua fotografia no meu coração e é com elas que componho o meu presépio de amor.
E essa, talvez, seja a razão implícita de colocar adereços no meu “habitat”. O jeito que encontrei de me despedir com brilhos, disfarçando essa saudade imensa que outras despedidas me deixaram.
Lágrimas que, hoje, aprendi a transformar em estrelinhas. Aquelas que brilham na minha janela para disfarçar as marcas sentidas das presenças ausentes de outros dezembros e as que luzem no meu olhar durante todo o ano para encarar as tarefas que a vida oferece como recompensa.
Dezembro é, também, véspera! Aguardem!




