Sabe, querido leitor, no nosso dia a dia, a gente aprende que o amor é a resposta para quase tudo. É o que nos salva, o que nos move. Mas, na prática, percebemos que nem sempre é assim. Às vezes, estamos em um lugar onde há respeito, há carinho, há planos para o futuro, mas falta um pedacinho essencial da nossa alma.
Pense naqueles vínculos fortes, aqueles que nos dão um abraço apertado quando precisamos. Aquele lugar seguro onde o outro se sente querido. O problema é que, mesmo com todo esse acolhimento, ele sente que precisa deixar uma parte de si guardada em uma gaveta, sabe? É um amor que acolhe, mas que não completa.
Reconhecer essa diferença é o pulo do gato, e exige uma coragem que nem sempre temos. Do ponto de vista de quem estuda a mente e as relações, vemos que o vínculo não é só sobre querer bem; é sobre ressonância. É se sentir visto na sua totalidade. Quando o carinho é sincero, mas a sintonia fundamental falha – seja na comunicação profunda ou na validação das necessidades mais intrínsecas – criamos uma relação de afeto estável, mas incompleta.
Como neurocientista, eu diria que nosso cérebro anseia por um match completo, não apenas um match parcial. Continuar em um lugar onde o afeto é bom, mas a plenitude é ausente, é exaustivo. É como ter uma casa linda, mas com uma janela que sempre fica fechada.
A grande sacada é entender que o amor é condição necessária, mas não suficiente. Ter a coragem de olhar para essa lacuna, sem culpar o outro ou a si mesmo, é o que nos permite buscar aquela conexão que realmente faz a nossa estrutura interna vibrar por inteiro.
O desafio, então, não é abandonar o afeto existente e, sim, honrar a nossa necessidade de ser inteiro. Pois o amor mais corajoso é aquele que reconhece seus próprios limites para que a jornada de ambos possa, finalmente, ser plena.
Otávio Avendano
Psicoterapeuta
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