Os níveis de inflação percebidos pela população costumam ser superiores aos indicadores oficiais divulgados pelo governo. Tanto é que oito em cada 10 brasileiros afirmam que estão preocupados com a inflação, além de sentirem que os preços continuam em alta.
O termômetro popular do custo de vida passa, principalmente, pelos preços no supermercado, nos postos de combustível e nas farmácias. No entanto, cada pessoa percebe a inflação de maneira única, de acordo com seu padrão de vida e sua realidade financeira. Assim, cada indivíduo constrói sua própria forma de lidar com o impacto da inflação, criando sua “persona inflacionária”.
Pesquisas qualitativas realizadas pelo Instituto Pesquisas de Opinião (IPO) indicam cinco perfis principais de comportamento diante do aumento do custo de vida:
O otimista: vê a inflação como um fenômeno passageiro, resultante de fatores externos como crises políticas ou internacionais. Geralmente, confia nas instituições econômicas e no governo para contornar a situação. Mantém seu nível de consumo e investimentos, acreditando que a economia se ajustará com o tempo. Nesse grupo se destacam as pessoas com maior escolaridade e renda;
O retraído: apesar de ter recursos financeiros, sente o impacto da alta nos preços e reduz gastos supérfluos, adotando uma postura cautelosa. Seu comportamento se destaca pela pesquisa de preços, pela espera para compras de maior valor, como veículos ou imóveis, e pela diminuição de gastos com entretenimento e turismo;
O cortador de despesas: representa a maior parcela dos entrevistados. Está sempre calculando e ajustando o orçamento, eliminando itens da lista de compras e, em muitos casos, abrindo mão até de produtos essenciais para equilibrar as finanças. São os que mais trocam marcas, cancelam serviços e modificam hábitos de consumo;
O candidato a inadimplente: percebe que seu poder de compra diminuiu, mas não altera seu padrão de vida. Como consequência, passa a recorrer ao crédito, parcelar pagamentos e fazer malabarismos para quitar as contas;
O eternamente endividado: vive no negativo, independentemente do cenário econômico. A inflação agrava sua situação, mas ele não busca soluções definitivas e segue sobrevivendo financeiramente com ajustes pontuais e improvisos.
A inflação, portanto, não é apenas um indicador econômico; ela se manifesta nas atitudes cotidianas e nas decisões financeiras de cada brasileiro. Diante desse desafio, todos, de alguma forma, desenvolvem sua própria maneira de lidar com a alta dos preços.




