Antigas enchentes

José Henrique Pires licenciado em Estudos Sociais pelo ICH-UFPel, especialista em Políticas Públicas pela Universidade de Salamanca, Espanha, jornalista e radialista. (Foto: Divulgação)

A primeira enchente violenta lembrada no Rio Grande do Sul foi a que antecedeu a Revolução Farroupilha.

Contam os antigos que a Província alagou em 1823. Mas, como nela toda viviam cerca de 20 mil habitantes e não existiam réguas para medir as cheias nos rios, parece que não há dados precisos sobre aqueles dias.

Em 1841, já em plena Revolução, houve chuva intensa no mês de maio, tendo o aguaceiro atingido a jovem Porto Alegre com as águas do Guaíba atingindo o centro, o sul e o norte da cidade, que era pequena e sofreu com a expansão das águas.

Em Pelotas, possivelmente aconteceram os reflexos daquelas cheias, mas não consta existirem registros, pois, como é sabido, após as refregas todas do início da Revolução, a cidade ficou praticamente abandonada. Quem pode, foi para as estâncias, para a banda Oriental ou para o Rio de Janeiro. Como o charqueador Viana, cujo filho pelotense, Antônio Ferreira Viana, brilharia na Capital do Império, imortalizado como o Ministro da Justiça que redigiu a Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, em 1888.

Houve várias cheias do Guaíba, como a de 1873, que levou água até a rua dos Andradas, a famosa rua da Praia, que naquela época tinha uma.

Há vários registros. Lembro de eu ter sido apresentado a alguns deles, já faz alguns anos, pelo saudoso professor Francisco Neto de Assis, que trabalhou bastante na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) com os dados observados diariamente, desde 1885, pelos primeiros cientistas da nossa Faculdade de Agronomia. Francisco era um importante pesquisador, mas ficou mais conhecido pela sua luta pelas doações de órgãos e tecidos, fazendo da Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos (ADOTE) uma referência nacional nesse tema.

Nesse trabalho de reerguimento do Estado, essas histórias e registros deverão ser levados em conta, principalmente considerando o aquecimento do planeta, que tende a fazer com que essas situações esparsas na linha do tempo tornem-se mais frequentes.

Há coisas interessantes nesses registros. Por exemplo: quando, em 1916, o ministro da Agricultura era o pelotense Dr. Ildefonso Simões Lopes, pela primeira vez se cogitou construir um canal para tirar a água da Lagoa dos Patos em direção ao Oceano Atlântico. A proposta, felizmente, não foi adiante. Perceberam que a água vai e vem e que domar a água salgada que viria do mar em tempos de estiagem era missão que nenhum domador conseguiria…

*José Henrique Medeiros Pires é Licenciado em Estudos Sociais pelo ICH UFPel, Especialista em Políticas Públicas pela Universidade de Salamanca, Espanha e jornalista e radialista

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