Teu apelido é pequena
Por causa do teu tamanho
E da tua valentia
Fosse de noite ou de dia
Tu não media distância
Mas é do pequeno frasco
Que exala o melhor perfume
E também o pior veneno
Por isso, peço licença
Nós que temos a mesma crença
Pra prosear contigo um pouco
Num linguajar bem campeiro
De me lembrar por primeiro
Dos tempos idos de dantes
Os quais vivi ao teu lado
Tu tinhas no teu costado
Uma vara de marmelo
Chamada de ensina burro
Que tu me riscavas o lombo
E quanto maior era a arte
Muito maior era o tombo
Mas nunca me deu um laçaço
Que eu não merecesse o dobro
Era a lei naquela época
O jeito de ensinamento
Aprendi abaixo de vara
De como era o respeito
E hoje tu és minha joia
Minha dádiva divina
Tu és meu maior presente
A cada dia do ano
E este teu filho paisano
Sente saudades de ti
Ainda bem que estás aqui
Pra poder te visitar
Ver-te terciando os anos no tempo
Dando pra mim o exemplo
De como viver a vida
De como curar as feridas
Taureando de passo a passo
Neste teu longo caminho
Tirando todos os espinhos
Que te causaram muita dor
Vivas, encravada em tua querência
Tenhas a mais longa existência
Te desejo com amor.
Por Cesar Mattos
Poeta




