A política passa pelo Whats

Elis Radmann, cientista social e socióloga.

Você já deve ter recebido em seus grupos de WhatsApp materiais sobre política. Eles trafegam nos aplicativos de mensagem de diferentes formas, aparecem como memes, são a base de uma piada, recortes de um noticiário ou link de uma reportagem. Aparecem também na forma de vídeos, onde políticos contam seus feitos, falam de suas ideias ou até mesmo realizam discursos de ódio.

Os aplicativos de mensagem já tiveram um papel importante nas eleições de 2018 e tendem a ser um canal de tráfego intenso nas eleições de 2022. A justiça eleitoral tem atuado no regramento do uso desses aplicativos para combater as notícias falsas através de um programa de enfrentamento e combate à desinformação.

As pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião têm investigado a jornada de consumo de informações políticas em aplicativos, em especial, no WhatsApp.

Nesse período pré-eleitoral 1/5 dos gaúchos estão interessados nas mensagens com conteúdo político. Estamos falando de 20% da população que está digitalmente ativa, repassando semanalmente conteúdos de cunho político. Esse é o mesmo número de formadores de opinião, aqueles que se interessam por política e conversam semanalmente sobre o tema. As jornadas de pesquisas quantitativas e qualitativas mostram que essas pessoas se autoclassificam com uma ideologia, seja de esquerda ou de direita. Em sua maioria tem curso superior e renda familiar acima de 3 salários mínimos.

Na prática, podemos olhar da seguinte forma: 2 de cada 10 eleitores gostam de receber e costumam enviar mensagens com conteúdo político. O número parece baixo, mas ele tem muita força por estar em permanente atividade. Pense em um grupo de família com muita discussão sobre política e em como essas discussões são motivadas por materiais com conteúdo político. Um coloca um card e o outro já entra em cima comentando e, em alguns casos, termina até em mal-estar entre membros da mesma família.

Pensando estrategicamente, esses 20% podem mobilizar facilmente mais 20% da sociedade, tendo em vista que cada pessoa tende a conseguir pelo menos mais um adepto às suas ideias. A partir de agosto, quando chegar o processo eleitoral, há uma tendência de explosão de pessoas compartilhando materiais de conteúdo político, tornando os aplicativos de mensagens o principal canal de interlocução das campanhas políticas.

A agenda da eleição de 2022 será diferente da eleição de 2018. A eleição de 2018 estava pautada pela indignação com a corrupção e pela esperança na moralização da política, não havia uma agenda de campanha propositiva e o discurso de ódio se conectava naturalmente com o contexto de vergonha e decepção.

A eleição de 2022 mantém alguns resquícios dessa indignação, mas será eminentemente uma eleição ideológica e programática. A maior parte dos eleitores têm claro o lado que querem apoiar, têm noção do que cada lado significa e sabem as propostas que lhes são caras.

O eleitor está fazendo a adesão por um estilo e por uma ideia de rumo e tem consciência de que a política vai passar pelo Whats. Nessa eleição geral, os aplicativos de mensagens serão o principal front de convencimento, persuasão, brigas e cancelamentos.

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