A política bagaceira nas relações públicas

Nas duas últimas semanas, meus textos foram sobre o professor e pesquisador Pedro Hallal, com o seu depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado Federal, e o governador Eduardo Leite, com a entrevista dada ao programa Conversa com Bial (Pedro Bial/Rede Globo), assumindo publicamente a sua homossexualidade. Tinha minhas preocupações com as reações que poderiam advir. Acreditava que alguns direitistas criticariam o primeiro texto, assim como esquerdistas se manifestariam contra o segundo. Esqueci dos proselitistas, de um lado e do outro – além dos religiosos de plantão, com juízos de valores engessados e querendo, de qualquer forma, seguidores.

Vamos partir do básico. Quem falou em “aproveitamento político” por parte dos dois, está coberto de razão, mesmo que tenha expresso isto de forma negativa e, até, pejorativa, tentando denegrir figuras que conseguem emergir do marasmo pelotense. Ambos fazem política… e da boa! Uma das muitas definições de política diz que “é a arte do bem comum”, ou “a arte da negociação”. Então, até o casal que acerta para saírem no domingo à tarde e irem à praia, a pedido da mulher, para que o homem assista ao jogo à noitinha pela televisão, está praticando política! Faz-se política em todas as ocasiões em que se convive com outras pessoas, de forma ativa ou por omissão!

Uma das palavras que ouvi bastante foi “oportunista”. Engraçado que este conceito vale para o outro lado e se esquece de que, aqueles que se defende, em algum momento, foram “oportunistas”, fazendo acertos (o melhor não seria conchavos?) com opositores ou figuras bizarras da política. As discussões em defesa dos políticos de estimação é a luta de dom Quixote contra os moinhos de vento… não dá em nada! Perdeu-se a noção das palavras que fazem o diálogo e, aí sim, de forma oportunista, se dá o seu revestimento conforme interesses pessoais ou de corporações.

Parodiando figura ilustre: Não quero um político “terrivelmente católico”, mas sim, um político “terrivelmente” humanista e, se possível, com princípios cristãos. Para isto, é preciso que as figuras que são referência nos partidos, sindicatos, igrejas, sistema educacional, assumam nas escolas, templos, organizações profissionais e, mesmo, na política a função maior de serem formadores de cidadania – educadores, no seu pleno sentido – despertando a capacidade crítica de fazer as melhores escolhas e conviver com quem se posiciona diferente de mim e do meu grupo.

A “política bagaceira” que se instalou, esta, sim, é “oportunista”: permeou os poderes constituídos – executivo, legislativo e judiciário, que “ajustaram” a máquina para atender seus propósitos e formataram situações, como já foi dito, que podem até ser legais, embora imorais. As viseiras que o adestramento ideológico coloca em alguns políticos e seguidores limita a visão e força a que olhem somente para o que foram “treinados”. Com isto, infelizmente, perde-se o sentido e o significado do diálogo, instrumento máximo de uma negociação… e da capacidade de convivência política!

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