A nova jornada de consumo de mídia

Elis Radmann, cientista social e socióloga.

A internet está alterando o nosso comportamento e nossos hábitos de consumo, em especial, na forma como nos informamos ou passamos o tempo nas mídias digitais. Antes da pandemia, o gaúcho gastava, em média, 3 horas acessando conteúdos na internet e agora utiliza 5 horas. Está na média do brasileiro, que é de 5,4 horas.

A análise do tempo gasto no celular é realizada a partir de depoimento do entrevistado, que observa o “tempo de uso” do seu próprio equipamento. A maior parte do “tempo de uso” dos gaúchos é dispensado ao WhatsApp, às plataformas de compartilhamento de vídeos como Youtube e às redes sociais (Facebook, Instagram e TikTok).

A cada pesquisa, de mercado ou de opinião, realizada pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião verifica-se que mais e mais consumidores ampliam seus aprendizados nos canais digitais. Gradativamente as pessoas estão se aventurando na experiência de compra online ou utilizam as plataformas de streaming para acessar filmes, músicas ou livros.

O efeito multitela tem se tornado uma constante na vida da sociedade, em especial entre as pessoas com menos de 40 anos. Cotidianamente, estamos ampliando a integração entre o smartphone e a televisão e estreitando relações com os serviços sob demanda, que oferecem uma cartela de escolha para o usuário, como o Netflix.

A TV tem sido o principal dispositivo no qual 1/5 da população costuma assistir às plataformas sob demanda, que permitem que o conteúdo seja acessado quando e onde a pessoa quiser. Nesses serviços, escolhe-se o horário de preferência e se não der tempo de terminar de ver o filme ou a série, pode-se continuar assistindo em outro horário ou equipamento.

Quando o tema é redes sociais ou plataformas de compartilhamentos de vídeos, verifica-se que os influenciadores digitais se tornam cada vez mais relevantes. Os influenciadores e youtubers têm se mostrado como porta-vozes de mais da metade das crianças e jovens. É comum seguir um influenciador de acordo com os interesses pessoais. Se a menina gosta de beleza, segue influenciadores que dão dicas de cuidados com o corpo ou moda. Se o menino gosta de jogos, acompanha influenciadores que dão dicas diárias sobre o tema.

As pesquisas mostram que a nova geração está sendo naturalmente forjada a buscar um influenciador de referência para cada novo tema que precisa ser explorado, em cada fase de sua vida. O despertar para novas práticas alimentares, vida amorosa ou financeira, fazem com que o jovem procure um influenciador com quem se identifique, que “seja um espelho de sua personalidade”. Para esses novos consumidores que estão ocupando o mercado, seguir um influenciador digital é ativar uma meta, é ter uma inspiração, é se sentir motivado.

Como a música é algo intrínseco à juventude, as rádios FM continuam a tocar pelos celulares ou nos rádios dos carros. Em torno de 11% da população já experimentou um podcast, que são programas de áudio gravados em que o ouvinte pode acessar em uma plataforma de streaming e escutar na hora que quiser.

E nas relações presenciais, que se estabelecem no mundo real, são trocadas as experiências e dicas sobre séries, filmes, livros, influenciadores e podcasts de preferência. O consumo de mídia digital se torna um tema na roda de conversa entre amigos, no bar ou no jantar de família. E é nesse momento que o neto ensina ao avô a seguir o jornalista que ele tanto gosta.

Enviar comentário

Envie um comentário!
Digite o seu nome