A importância da consciência em nossas vidas

Elis Radmann, cientista social e socióloga.

Consciência é uma palavra que parece tão simples e comum que muitas vezes não nos damos conta da importância da mesma em nossas vidas e, principalmente, do bem que ela pode fazer para a humanidade.

Segundo a definição mais básica, consciência é um sentimento ou conhecimento que permite ao ser humano vivenciar, experimentar ou compreender aspectos ou a totalidade de sua existência e do mundo em que vive. Está associada à moral individual, àquilo que a pessoa considera certo ou errado, mas também é influenciada pelos valores sociais impostos pela conjuntura cultural, econômica e política em que se vive.

A nossa consciência não deixa de ser uma leitura de mundo, a forma como enxergamos e entendemos a nossa realidade. Ela é constituída de várias formas e por vários canais. Começa com os valores e as orientações que recebemos no nosso seio familiar, se fortalece com as informações recebidas pela escola e se complementa com todas as experiências que recebemos ao longo da vida, seja em nossa rede de relacionamento, nas instituições religiosas, sociais, políticas ou culturais que participamos.

Pode-se dizer que quanto maior for o nível de informação de um indivíduo, quanto maior for sua educação formal e quanto maior for a sua capacidade de reflexão e debate, maior será a sua consciência individual e coletiva. Como uma coisa leva à outra, quanto maior a consciência, maior a capacidade de discernimento, de resiliência, de paciência e de respeito com o outro.

É importante falarmos e compreendermos o papel da consciência para entendermos e estarmos abertos para o debate da consciência negra, um tema vital para o país que tem a maior população negra fora do continente africano.

Neste dia 20 de novembro foi comemorado o dia da consciência negra, um dia com muitas representações, em que se comemora desde o valor da comunidade negra, sua importância para o país e se reafirma a necessidade de combater o racismo e o preconceito.

Se a consciência é formada pela leitura de mundo que temos, é vital revisitarmos as informações que fazem parte desta consciência em relação aos negros e ao preconceito social.

Há muitas perguntas que precisam ser verdadeiramente respondidas dentro de cada um de nós e a primeira delas é se existe racismo? Se o meu eu interno diz que eu não sou racista, preciso olhar para o lado. Vejo um familiar, um amigo ou colega sendo racista? Percebo julgamentos sociais racistas na escola, trabalho ou na rua? E o que vejo nos noticiários?
Se observarmos atentamente, veremos que o racismo e o preconceito fazem parte dos juízos de valor e das estruturas sociais de nossa realidade e, muitas vezes, não temos consciência desse fenômeno.

A delegacia de combate à intolerância de Porto Alegre afirma que a maior consciência do povo negro sobre seus direitos tem motivado as denúncias de racismo em Porto Alegre.
O número de ocorrências registradas na delegacia pelo crime de racismo mais do que dobrou nos últimos dois anos. Entre janeiro e setembro de 2021, foram 24 registros, número que subiu para 61 no mesmo período de 2022, o que representa um aumento de 154,16%.

Se houver uma consciência social sobre o racismo estrutural, o dia da consciência negra deverá ser mais de comemoração coletiva da história de um povo do que de luta pela igualdade racial.

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