A eleição de 2026 é logo ali!

Elis Radmann, cientista social e socióloga.

É normal que uma eleição acabe, que as especulações de bastidores comecem e que os pré-candidatos ao próximo pleito se movimentem. Diante de um cenário de potencialização da polarização política e de ânimos acirrados a nível nacional, com investigações sobre tentativa de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, o jogo político está muito mais ativo do que o normal.

Mal a eleição municipal acabou e o Instituto Pesquisas de Opinião (IPO) já está realizando diferentes pesquisas de pós-eleição, sondando a imagem dos prefeitos que saem, a expectativa com os prefeitos que entram e, principalmente, investigando como o eleitor está se sentindo diante da chamada politização da justiça ou judicialização da política, que mantém a guerra ideológica acirrada, deixando ativos os argumentos e a agenda dos defensores do bolsonarismo e do lulismo, sinalizando a continuidade da polarização e do radicalismo político.

Quando se questiona a população sobre a movimentação política do cenário nacional, o eleitor mostra sua indignação e a maioria afirma que se sente desprestigiada e com a sensação de que os políticos gastam mais tempo brigando entre si do que resolvendo problemas reais que afetam as cidades. A maioria acredita que as lideranças políticas deveriam trabalhar de forma alinhada, na construção de políticas públicas que melhorassem a qualidade de vida da população e ampliassem as oportunidades de desenvolvimento econômico, emprego e renda.

Mas interessam para o jogo político as narrativas que estimulam a divisão de opiniões, mantendo a radicalização política e a tendência do comportamento eleitoral.

De um lado, os mais inclinados aos valores sociais e morais conservadores, ideologicamente mais à direita ou apenas fãs do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), consideram que ele tem sido vítima de perseguição política.

De outro lado, eleitores que se posicionam com valores mais liberais, que se classificam ideologicamente mais à esquerda ou gostam do presidente Lula (PT), defendem a punição severa dos envolvidos na tentativa de golpe.

Enquanto esse impasse não é resolvido, nos bastidores da política gaúcha, partidos como o PT e o PL já sinalizam seus pré-candidatos e começam a organizar as articulações políticas, mapeando a tendência do eleitor e construindo seu posicionamento. Por outro lado, o governo trabalha para ampliar as suas políticas e construir espaço para a continuidade, em um cenário em que o eleitor está sendo obrigado a se comportar como um torcedor de time de futebol, escolhendo um lado.

Neste jogo de forças, as pesquisas indicam que, neste momento, o eleitor não quer saber do cenário de 2026 e relata o seu desconforto nas pesquisas de opinião. Se o eleitor tiver que escolher um lado, irá fazê-lo por força das circunstâncias, mas essa não é a sua tendência natural. O que o eleitor mais quer é menos política e mais ação, menos ideologia e mais trabalho.