A banalização da vida, a naturalização da morte……

As gerações recentes se criaram tendo que, em algum momento, ir aos postinhos para tomar vacina. Agora fala o Google: “vacinas são substâncias biológicas, preparadas a partir de micro-organismos causadores das doenças (bactérias ou vírus), modificados laboratorialmente, de forma a perderem a sua potência de provocar doença”. Traduzindo, para proteger o nosso corpo, os cientistas lidam com as armas do adversário, isto é, transformam inimigos em aliados. Não sei quantas vacinas se toma desde que a primeira enfermeira começa a nos imunizar ainda na maternidade.

Depois, para quem não gosta das agulhas, é um martírio. Toma-se vacina contra a difteria e tétano, sarampo, caxumba e rubéola, hepatite b, pneumonia, febre amarela, influenza (gripe), HPV, Herpes Zóster… Esqueci de alguma? O que faz pensar que, durante longo tempo, os poderes públicos em todos os níveis – municipal, estadual e federal – faziam campanhas sistemáticas (daí nasceu o Zé Gotinha, por exemplo), com o apoio dos meios de comunicação, bombardeando a população com informações e mobilizando para uma prevenção necessária e que sempre funcionou bem.

Fruto desta cultura da vacina, não se têm índices de rejeição que cheguem a preocupar, como nos Estados Unidos e Japão. Pesquisas mostram que 9 em cada 10 brasileiros tomariam qualquer marca de vacina e apenas 5% da população não tomaria. Demonstra que o sistema para vacinação de outras doenças serviu como base para a mobilização que tem por meta 70% da população vacinada, causando a imunidade coletiva, conhecida como “efeito rebanho”.

Liberações com índices que não chegam aos números apresentados como parâmetros pelos cientistas têm feito com que, na Europa, por exemplo, se retomem as restrições às aglomerações, o uso de máscaras e acelere o processo de vacinação. Aqui, infelizmente, uma piscada do paciente parece ser motivo para dar alta! Engano. Lida-se com um vírus que pode se ter algum controle no que se refere à letalidade, mas se está longe de conhecer todas as sequelas que deixa no seu rastro.

O sistema de saúde que se tem no Brasil não é nenhuma das maravilhas do mundo, mas consegue atender, ainda que de forma precária, às demandas da população, especialmente a mais pobre. A mesma que tem que optar, recebendo bolsa família de R$ 205,00, entre comprar botijão de gás, ou comida, dependendo de entidades sociais ou religiosas para sobreviver. Mesmo que queira, fica abaixo dos índices mínimos de sobrevivência, quanto mais de cuidar adequadamente da saúde.

À educação formal, prejudicada na pandemia, somam-se as demais “educações”, que deveriam alicerçar a vida do cidadão. A da saúde é uma delas. Ainda se está distante de uma cultura efetiva da prevenção. Veja-se o exemplo da vacinação da gripe, que não atingiu as metas. Não é que o brasileiro seja contra uma ou outra ação de proteção. É mal informado e facilmente seduzido por discursos demagógicos e populistas. A banalização da vida se transformou na naturalização das mortes. Infelizmente, apenas mais uma estatística dos muitos fatos negativos que nos cercam…..

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