Piratini: No mínimo 10% da população local será “Brasil Para Cristo”, almeja pastor Leomar Vaz

Pastor Leomar Vaz e sua esposa, Maria Elizabete, estão à frente da Brasil Para Cristo em Piratini. (Foto: Nael Rosa/JTR)

Segundo o último Censo Demográfico realizado em 2022, Piratini tem 17.504 habitantes e, destes, no mínimo 10% serão Brasil Para Cristo. Essa é a meta traçada pelo pastor Leomar da Rosa Vaz, de 48 anos, que, junto com a esposa, Maria Elizabete, de 55, está à frente da denominação religiosa cuja igreja fica situada no bairro Sinuelo.

“Como líder, entendo que é interessante termos metas. Fiz uma análise e constatei que, se somarmos todos os crentes ativos de Piratini, não temos 1,2 mil pessoas que frequentam suas igrejas. Por não me conformar com isso, ou seja, com um grupo tão pequeno, decidi que vamos ganhar essa cidade, o que inicialmente era uma meta só minha e da Bete, mas que a seguir, foi também adotada pelos nossos fiéis”, revela Vaz.

Ele conta que começou a pregar em garagens e quando houve a mudança para o novo endereço, fazia para apenas seis pessoas. Hoje são 125 membros. “Inclusive, se todos decidirem vir aos cultos ao mesmo tempo, faltará espaço, mesmo assim, mantemos o objetivo, pois se Deus nos conceder essa graça, certamente nos dará condições para aumentarmos o espaço para abrigar a todos”, disse.

Ele se refere à atual estrutura, que tem 125 metros quadrados, e que levou 11 anos para ser capaz de acomodar os frequentadores, sendo erguida em mutirões dos quais a mão de obra foi dos fiéis, responsáveis também pela maioria das doações em dinheiro usado para comprar o material de construção utilizado.

“Compramos o terreno em 2010, começamos a erguer a igreja em 2014, e o primeiro culto nesse espaço foi em 2019, mesmo sem estar pronta, pois lembro que o piso era de chão batido. Muita gente ajudou, inclusive, pessoas que não são evangélicas e nunca vieram à Brasil Para Cristo, mas que, ao passar aqui e nos ver trabalhando, se sensibilizaram com a causa e decidiram ajudar”, relembra o pastor, que se converteu em 1997 quando servia ao Exército Brasileiro, em Bagé.

Vaz não se esquivou em abordar o tema relacionado ao motivo que leva algumas pessoas a terem receio e até preconceito com a religião evangélica no Brasil. Entre algumas das queixas estão escândalos ocorridos nos últimos 30 anos envolvendo pastores, principalmente os financeiros. Ele admite que, infelizmente, isso é uma realidade, obviamente, não só entre os líderes religiosos, deixando claro que não concorda com o enriquecimento através da boa-fé dos fiéis.

“Maus exemplos há em todas as áreas, inclusive no meio religioso. Mas é preciso entender que Deus não precisa de dinheiro, mas sua obra, sim. Infelizmente há pessoas que se aproveitam da fé do próximo para enriquecerem. Lamento que os escândalos envolvendo pastores gritem mais alto, mas atenção: os envolvidos nos mesmos são uma minoria, já que a grande no que diz respeito à nata evangélica, essa é formada por pessoas sérias”, opina o pastor.

Futuro

Entre os projetos para o futuro está o de adquirir para a congregação um veículo novo que, entre as tantas necessidades hoje existentes, servirá para transportar, principalmente aos domingos, as crianças que são filhos dos crentes e, para as quais a igreja dedica uma atenção especial, o que hoje é feito em seu carro particular.

A futura aquisição permitirá também a ele se deslocar à zona rural do município e, com isso, levar apoio espiritual a quem precisa, o que momentaneamente não é possível fazer em virtude do único meio de transporte à disposição, o seu que, além de não possuir muita capacidade de ocupação e, com mais de 20 anos de uso, apresenta com frequência vários problemas mecânicos.

Ele destaca ainda o cunho social existente na Brasil Para Cristo, em Piratini. Uma das ações, se refere ao curso gratuito dado às crianças a partir de 10 anos, bem como a adultos e, até idosos, que queiram aprender noções básicas de informática, aulas ministradas por ele, Leomar, já que é graduado para a função.

Além disso, outras ações são desenvolvidas. “Quem bate à nossa porta para pedir ajuda, independe do crédulo, encontra, inclusive, alimentos doados pelos nossos fiéis, o que nos permite, nesse sentido, manter um estoque de gêneros alimentícios para doação a quem necessita. Por falta de instrutores, no momento não estamos ativos com o projeto que ensina a tocar instrumentos: violão, teclado e bateria, o que pretendemos retomar em breve”, assegura.

Ao final, ele abordou a forma peculiar adotada ao pregar. Ele, ao contrário da maioria dos pastores e demais pregadores que, entre suas características tem o hábito de elevar o volume da voz, o que nem sempre é algo bem recebido pelas pessoas, utiliza uma estratégia suave na pregação e que tem ainda leves pitadas de humor no momento de levar a palavra aos presentes.

“Isso é empatia, ou seja: se colocar no lugar do outro. Cada um prega de uma maneira. A linha que eu adoto, percebo, tem boa receptividade entre aqueles que frequentam a nossa igreja, assim, vou me manter desta forma”, afirma.

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