Piratini: Morador de Candelária percorre bairros pedindo comida e dinheiro à população

Anderson afirma que o benefício, até então pago pelo INSS, foi cortado mesmo ele não tendo uma das pernas. (Foto: Nael Rosa/JTR)

Na segunda-feira (12), um automóvel Gol, estruturado com um sistema de som, percorreu as ruas de todos os bairros de Piratini com o objetivo de sensibilizar a população a ajudar o borracheiro, Anderson Barbosa, de 44 anos, morador de Candelária, município da região Central do estado, distante 200 quilômetros da Capital Farroupilha.

Barbosa, que não possui uma das pernas, perdida após ser atropelado, contou à reportagem do Tradição Regional ser essa a forma encontrada para ter o que comer e também alimentar três dos quatro filhos com idades entre 8 e 12 anos, já que o benefício, que até então recebia do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi cortado.

“Quando a situação lá em casa aperta, saio para pedir. A Previdência cortou meu único ganho alegando que eu tenho condições de trabalhar mesmo sem ter a perna direita. Não é de hoje que eu e minha família passamos necessidade. É comum a vizinhança do bairro onde moro se unir para que eu possa pagar contas de água e luz”, relatou.

Sobre o acidente, contou que perdeu a perna quando trafegava de bicicleta pela BR 287, mas que não sabe quem o atropelou, pois acordou, não sabe quanto tempo depois, no hospital, já sem o membro.

Ao volante do veículo no qual as muitas doações, principalmente de alimentos, foram armazenadas, estava Fábio Soares da Silva, de 38 anos, que disse ter decidido ajudar o primo ao se deparar com a situação pela qual o parente está passando.

“Sou do Norte do país e vim para o Rio Grande do Sul em busca de emprego. Pedi abrigo na casa dele, mas quando cheguei, vi o que ele e os filhos estavam passando, então achei que sair pedir comida e ajuda em dinheiro em outras cidades era uma das saídas para ajudá-lo”, contou Silva, acrescentando que já faziam três dias que os dois dormiam no carro.

“Quando não recebemos ajuda das Prefeituras para pernoitar, buscamos postos de gasolina, estacionamos e dormimos dentro do carro mesmo, já que não temos dinheiro para pagar um hotel”, revela.

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