
Para muitos, o Natal começa a ser lembrado quando as luzes coloridas (piscas-piscas) passam a enfeitar as casa e ruas. No entanto, para Neri Duarte, nada anuncia melhor a chegada desse período do que os vagalumes, com os seus brilhos tímidos que iluminam as noites quentes de verão.
Duarte revela que, quando criança, bastava ver aquelas luzinhas pequenas piscando do lado de fora de casa para que todos soubessem que o Natal estava se aproximando. “Naquele tempo, não tínhamos luz elétrica, apenas lamparinas com querosene. Então, quando chegava o verão, tínhamos os vagalumes que anunciavam que o Natal estava chegando. E quanto mais escura era a noite, mais eles iluminavam tudo ao redor. Era muito bonito”, relata.
Ele explica que, nessas épocas, quando era preciso buscar algo em um bar ou em um vizinho durante a noite, pegava a bicicleta e tinha todo o caminho iluminado por esses pequenos amigos.
Duarte recorda que, na infância, sua família se reunia para comemorar o Natal, e o brilho daqueles insetos dava um encanto para esse tempo que nenhum pisca-pisca consegue substituir. “Lembro que minha mãe sempre gostava de partilhar o que a gente tinha com os vizinhos, por mais pouco que fosse, mas nesse tempo ela partilhava ainda mais. Algumas vezes nos reuníamos na rua, uma das minhas tias sempre mandava presentes para nós.
Eram realmente momentos muito especiais. E, mesmo sem perceber naquela época, já tínhamos luzinhas coloridas que enfeitavam os lugares, eram os vagalumes, uma decoração feita diretamente por Deus”.
Atualmente, encontrar um vagalume tornou-se algo raro. Existem mais de 3 mil espécies, sendo o Brasil o país que abriga a maior diversidade deles – mais de 350 espécies. Mesmo assim, cada vez é mais difícil de prestigiar esses pequenos insetos iluminando as noites escuras devido ao alto risco de extinção que enfrentam, provocado por desmatamentos, queimadas, agrotóxicos, poluição e mudanças climáticas.
Duarte afirma que ainda não conseguiu ver nenhum vagalume este ano, mas que conversou com pessoas que tiveram a sorte de vê-los. “Falei com alguns parentes meus que me disseram ter visto, mas que não eram muitos. Estou ansioso para ver algum também”.
Por fim, ele faz um pedido para que as pessoas preservem esses pequenos seres. “O Natal, é um momento muito especial, mais do que um tempo de festa; é um instante para a gente refletir sobre nossa vida e atitudes, e buscarmos ser melhores. Então, aproveitem esse tempo para pensar sobre tantas coisas e, principalmente, para começar a proteger os vagalumes para que não entrem em extinção de fato. Eles marcaram a minha geração e podem marcar a de muitas crianças também, deixando o Natal ainda mais bonito”.



