
A origem do Papai Noel é intrinsecamente conectada à história de São Nicolau, um bispo reconhecido por sua generosidade e nascido no que hoje conhecemos como Turquia, sendo beatificado pela igreja católica pelos milagres realizados. Outra história, ainda mais antiga, é chamada de “Velho Inverno” e conta a trajetória de um senhor que batia de casa em casa pedindo por comida e bebida. Segundo o conto, quem o atendesse com generosidade garantiria para si um inverno mais tranquilo. Em todo caso, a figura do bom velhinho emoldura-se no imaginário de cada criança e, em Piratini, tem como um de seus muitos intérpretes, Ilson Soares.
O ator de 38 anos é atualmente servidor público comissionado e faz teatro desde os 8 anos, interpretando a figura do Papai Noel desde 1997. “Eu sempre fiz trabalhos voluntários, acredito muito em dar de si. Às vezes não é doação em dinheiro que nos traz senso de ‘fiz a coisa certa’, mas você vai lá e mete a mão na massa. Então, sempre que posso, eu sou voluntário em várias pontas da cidade,” contou o ator, relembrando sua participação na segunda edição da festa de Natal promovida pelo Esporte Clube Guarany, Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e Serviços (Acias), do Clube de Diretores Lojistas de Piratini (CDL) (CDL) e Prefeitura Municipal de Piratini, por meio da Secretaria de Cidadania e Assistência Social.
Há 26 anos tomando para si a missão de interpretar o bom velhinho, Soares causa espanto àqueles que escutam sobre sua trajetória e descobrem que o ator tem interpretado o personagem desde os 12 anos de idade.
“A primeira roupa foi uma lenda, uma novela para poder ter. Sou de família pobre, minha mãe, doméstica, falecido pai, pedreiro. Naquela época qualquer R$ 10 era muito dinheiro. Mas eu juntei dinheiro: do pai, da mãe, do meu tio, da tia e meu, porque pintei casa para minha vó e ela me deu R$ 20, assim eu mandei fazer a primeira roupa. Comprei balas e distribuí na rua Dorvalino Lessa, no Cancelão, rua onde me criei”, disse.
Contando sua trajetória com carinho, Soares revela ainda que a interpretação do Papai Noel em festas e eventos é algo que se conecta a história pessoal que tem com sua família, mais especificamente sua avó materna, que faleceu em maio de 1997, mesma época em que obteve sua primeira roupa clássica de Papai Noel.
“Minha vó dizia que se melhorasse ia fazer uma festa para as crianças, com muito doce e refrigerante. Mas infelizmente ela partiu. Acho que isso me levou a ser Papai Noel, ou a ser voluntário,” diz.
Em dezembro, há aumento na procura para que esteja presente nas comemorações e nos Natais em família, a fim de manter viva a tradição e levar a alegria, principalmente para as crianças. O ator revela o envolvimento de todos os adultos para que a magia natalina permaneça acesa.
“Receber um abraço, um carinho do Papai Noel fica pra sempre na memória das crianças. Muitos pais brilham os olhos quando eu abraço os filhos deles e digo ‘oh filhinho, Feliz Natal’ e sempre que posso abraço um pai, uma mãe, uma avó e digo ‘Feliz Natal para o senhor, para a senhora, que Deus abençoe’. Eles agradecem e às vezes se emocionam. O mundo precisa de mais abraços, mais sorrisos, mais empatia,” enfatiza.
Sobre sua trajetória e conhecimento por Piratini devido à participação voluntária nos eventos de final de ano, Ilson explica tem como regra não realizar este trabalho por dinheiro. “Confesso que fiz Papai Noel comercial, para lojas, para famílias com boas condições financeiras, cobrando cachê, mas foi um dia que comecei fazer para uma menina e o pai dela teve essa ideia. […] Eu acredito que estive em seis ou sete… 10 natais com eles, vi a família ganhar novos membros e perder outros. E um dia o pai dessa menina me disse ‘olha, ser Papai Noel é um estado de espírito, e tu és Papai Noel de verdade’. Após isso, nunca mais cobrei para fazer Papai Noel,” conta.



