Câmara de Vereadores de Pinheiro Machado realiza a primeira edição do “Mulheres que inspiram”

Participantes foram indicadas pelo trio de vereadoras do Legislativo pinheirense. (Foto: Eunice Garcia/JTR)

A primeira edição do “Mulheres que Inspiram” de Pinheiro Machado foi realizada na quarta-feira (30), no Plenário Vereador Walter Azambuja na Câmara. O evento promovido pelo Legislativo tem por objetivo inspirar e encorajar mulheres através de depoimentos, troca de experiências e vivências compartilhadas por intermédio de um bate-papo leve e descontraído.

Segundo a vereadora e presidente do Legislativo, Laura Ratto (MDB), o evento foi uma iniciativa da vereadora Tanira Ramos (PTB), de Hulha Negra, que compartilhou a ideia e sugeriu que as vereadoras dos municípios vizinhos adotassem a iniciativa. “As mulheres que participaram do evento puderam contar parte de suas trajetórias de vida, falar sobre os empreendimentos, suas lutas e conquistas”, explica. 

As mulheres selecionadas representavam segmentos diferentes. A primeira participante foi a empresária Lara Leão, que trabalha há 22 anos com loja de confecções, considerada atualmente como uma das maiores lojas do ramo na cidade. 

Para ela, o principal segredo é trabalhar com afinco, dedicação, persistência e acreditar no que faz. “Sempre trabalhei com seriedade, honestidade e responsabilidade. O apoio da família também foi fundamental para o sucesso. Meu esposo sempre esteve ao meu lado apoiando e dando suporte nos momentos difíceis”, conta.

Lara também destacou a importância das colaboradoras ao longo dos 22 anos de loja. “Sempre tive colaboradoras mulheres que foram fundamentais para o crescimento da loja e sou muito grata aos amigos e clientes porque tudo aquilo que a gente investe é pensando neles. Nosso objetivo é oferecer o melhor produto, o melhor atendimento para conquistar a confiança e credibilidade do cliente”, disse. 

(Foto: Eunice Garcia/JTR)

A segunda empresária a falar foi Ana Gorete Teixeira, a Aninha da Padaria, como é popularmente conhecida na cidade, proprietária de restaurante e padaria. Ela falou das dificuldades financeiras que viveu no início da sua trajetória, lembrando que nasceu e viveu até os 14 anos no interior do município. “Meus pais eram pobres e enfrentaram diversas dificuldades para criar os filhos. Vim para a cidade para estudar, no início morei com meus tios os quais sempre me apoiaram, logo comecei a trabalhar e aos poucos fui vencendo. Estudei, fiz faculdade de Pedagogia, nunca me acomodei. Sempre fui corajosa, determinada e batalhadora”, ressaltou. 

Segundo ela, o importante é acreditar que vai dar certo e nunca desistir. “Mesmo quando as dificuldades chegam a gente precisa se manter otimista e trabalhar com garra”.  

Outra mulher a falar foi a proprietária do Cantinho Colonial, Valéria Lopes, que compartilhou a sua ousadia ao largar o emprego formal para trabalhar gerenciando o seu próprio negócio, um estabelecimento diferenciado com produtos caseiros, orgânicos e coloniais.  “Durante seis anos trabalhei no mesmo local com carteira assinada, férias e meus direitos garantidos, porém, num momento percebi que eu não estava feliz naquele trabalho. Sempre acreditei que devemos trabalhar com amor e quando isso não acontece precisamos mudar a nossa rotina, encontrar outro caminho e foi o que eu fiz”, disse.  

Segundo ela, largar o certo pelo duvidoso exigiu coragem e determinação. “Fiz um investimento com o pouco que eu tinha e posso afirmar que não foi nada fácil, principalmente com a chegada da pandemia, mas com persistência e muito amor já comemorei três anos de Cantinho”, lembrou. 

Marina Teixeira, uma jovem de 18 anos, se destaca pelo trabalho realizado como capataz de estância. Ela faz jus a frase: lugar de mulher é onde ela quiser. Realizando um atividade diferenciado da maioria das meninas de sua faixa etária, Marina conta que é muito feliz no seu trabalho. “Sempre fui apaixonada pela lida do campo, trabalhei ajudando meu pai na lida campeira desde os meus 2 anos de idade. Tudo que sei aprendi com ele, o qual sempre me incentivou muito”.

Marina é formada em curso Técnico Agrícola e responsável pela capatazia na Morada Flor de Liz, município de Pedras Altas. A jovem salientou a importância das mulheres buscarem conhecimento e apreenderem a lida do campo. “Hoje em dia são poucas que se interessam e gostam das tradições do campo. Quero me qualificar mais na área cursando Medicina Veterinária”, projeta.

Também falou Édia Soares, conhecida na cidade pelo serviço de acolhimento que presta no Centro Espírita Amigos da Paz. Segundo ela, ouvir as pessoas é algo necessário e gratificante, no qual o aprendizado é constante. Ao se apresentar para a plateia, confessou estar muito feliz e afirmou que a indicação do seu nome para o evento foi motivo de surpresa. Na oportunidade, falou sobre o serviço que presta à comunidade ao ter aceitado a sua missão de levar conforto, acolhimento, esclarecimento e esperança através do conhecimento adquirido no Centro Espírita. Além disso, ressaltou a importância do amor próprio e a necessidade da gratidão, enfatizando que o ser humano deve amar a si mesmo e ter em mente sempre a frase: “Hoje é o melhor dia da minha vida”.  

A vereadora, presidente da Câmara Municipal de Hulha Negra e idealizadora do evento “Mulheres que inspiram”, Tanira Ramos, na ocasião participou da edição em Pinheiro Machado como convidada. Além da política, a vereadora é técnica em Segurança do Trabalho, em Enfermagem e condutora de veículos de emergência. Natural de Alegrete, quando criança residiu em Pinheiro Machado com a família. Seu pai era trabalhador em estradas de rodagem na região. 

Tanira conta que o primeiro emprego foi no Frigorífico Pampeano, onde trabalhou por 32 anos. A vivência do trabalho fez com que criasse um vínculo com o município da Hulha Negra.

Segundo ela, o desejo de fazer política despertou após ter trabalhado na campanha eleitoral de um candidato. “Após a campanha, a comunidade começou a me questionar por que eu não colocava meu nome à disposição para concorrer. Comecei a pensar sobre o assunto e percebi que podia sim representar as minorias e lutar pelos direitos dos cidadãos. Sofri muito preconceito, perseguições, mas nunca desisti dos meus propósitos. Na primeira campanha eleitoral realizei um trabalho silencioso, muitas vezes, sem coragem de sair para as ruas, faltaram seis votos para me eleger”, recordou. 

Na última eleição voltou a concorrer e, para surpresa de muitos, foi a vereadora mais votada de Hulha Negra. “Eu sou uma pessoa imperativa, eu me alimento muito do trabalho, não sei se isso é doença, mas, se for que continue comigo. Eu preciso muito trabalhar, eu sou um ser em atividade”, concluiu.

A solenidade contou com a presença do Juiz da Comarca de Pinheiro Machado, Fellipe Alves Abrahão, o presidente da Subseção OAB Pinheiro Machado, Fernando Dias, os vereadores, Cássio Câmara (Progressistas), Vilsinho Jorge (Progresssistas), Magda Afonso (PDT) e Elizete Baldez (Progressistas), além dos familiares das mulheres e colaboradores.

Ao final, Laura salientou a importância do evento realizado. “Foi um evento muito produtivo, ouvi muitos comentários positivos e a ideia é seguir avançando, realizando outros eventos para as mulheres”, disse. As mulheres foram escolhidas por indicação do trio de vereadoras da Casa Legislativa.

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