Artesanato em lã: tradição que atravessa gerações em Pinheiro Machado

Cerca de 20 artesãs são acompanhadas em Pinheiro Machado, com mais 70 em 14 municípios vizinhos. (Foto: Elise Souza, Emater/RS-Ascar)

Entre fios, memórias e saberes transmitidos ao longo do tempo, o artesanato em lã segue como um importante símbolo cultural em Pinheiro Machado. Preservada por diferentes gerações, a atividade se mantém viva em virtude da dedicação de artesãs locais e ao apoio da Emater/RS-Ascar, que atua no município com oficinas, assistência técnica e ações voltadas à comercialização, como a participação na Feira e Festa Estadual da Ovelha (Feovelha), encerrada no domingo (1º).

Durante o evento, o trabalho com a lã ganhou evidência na 36ª Feira do Artesanato em Lã, espaço que reuniu artesãs de diversos municípios da região atendidos pela Emater/RS-Ascar. As iniciativas promovidas pela Instituição se consolidam como uma oportunidade para ampliar mercados e dar visibilidade a peças produzidas artesanalmente por mãos que contam histórias através dos fios.

Atualmente, cerca de 20 artesãs recebem acompanhamento em Pinheiro Machado, além de outras 70 distribuídas em 14 municípios da região administrativa de Pelotas, como Pedras Altas, Piratini, Pedro Osório, Capão do Leão, Pelotas, Santana da Boa Vista, Canguçu, Morro Redondo, São José do Norte, Santa Vitória do Palmar, Jaguarão, Herval e Arroio Grande. Juntas, elas mantêm viva uma prática ancestral que faz parte da identidade regional e da história pessoal de quem mantém esse legado.

Uma dessas histórias é a de Mariza Dias da Rosa, professora aposentada que encontrou no artesanato uma forma de resgatar as próprias raízes. Vinda de uma família que tinha na criação de ovelhas o sustento, Mariza carrega lembranças da infância marcadas pelo som do tear e pelas imagens da avó trabalhando a lã, cena que permanece viva em sua memória.

O reencontro com essa tradição familiar aconteceu com o apoio da Emater/RS-Ascar, onde Mariza buscou auxílio, participou de oficinas e aprendeu todo o processo do artesanato em lã, desde a lavagem, cardagem, fiação e tingimento natural do insumo. Hoje, a artesã transforma a lã em peças únicas, utilizando técnicas como feltragem, tear e tricô, por exemplo, sempre explorando a criatividade e a inovação.

Na Feovelha de 2025, a artesã conquistou prêmio de destaque em inovação no concurso de artesanato promovido pela Instituição, ao apresentar um coquedame, espécie de vaso natural para envolver raízes de plantas, confeccionado com lã de ovelha. Ao longo de sua trajetória, Mariza já acumulou diversas premiações em concursos municipais e regionais, com trabalhos que vão do vestuário a itens decorativos e biojóias.

Para ela, o artesanato representa mais do que um ofício: é um elo com a infância e uma prática que também exerce papel terapêutico. No concurso deste ano, já em sua 19ª edição e com 11 categorias, Mariza foi premiada na categoria tricô e ressaltou a importância de iniciativas que valorizam e fortalecem a continuidade do artesanato em lã. “A Emater é fundamental não só para o aprendizado das técnicas, mas também para a divulgação do nosso trabalho. Sem esse apoio, não estaríamos organizadas em grupos nem teríamos incentivo para seguir na atividade”, destaca.

Segundo a extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Rozana Moraes da Silva, o artesanato em lã tem grande relevância na região. O trabalho desenvolvido pela Instituição busca valorizar cada etapa do processo produtivo, estimular a prática e incorporar novas ideias, garantindo a permanência da atividade e a geração de renda. “O concurso de artesanato, por exemplo, é muito tradicional. As artesãs gostam de participar, se dedicam durante todo o ano e apresentam peças diferenciadas. É uma forma de incentivar a produção criativa com uma matéria-prima tão importante para a nossa região”, ressalta.

Outro ponto alto durante a Feovelha é o desfile de peças em lã que, nesta edição, atraiu grande público interessado em conhecer as peças produzidas localmente com uma diversidade de técnicas e com a exclusividade que somente o processo artesanal de criação pode garantir. Modelos de todas as idades apresentaram roupas, chapéus, acessórios, bonecas e itens decorativos, colorindo o estande da Emater/RS-Ascar e despertando a expectativa pelas novidades do próximo ano.