
Com as temperaturas mais baixas devido a chegada do inverno, que está cada vez mais próxima, dores musculares tendem a se intensificar, bem como crises alérgicas e respiratórias. Profissionais da área da saúde apontam que idosos e crianças ainda se destacam entre os grupos que mais sofrem com a estação, carecendo de hábitos e cuidados básicos que auxiliem a manter qualidade de vida mesmo nos dias mais frios do ano.
Entre os grupos que mais sofrem com limitações físicas e vulnerabilidade durante o inverno, os especialistas ressaltam que os motivos que enquadram cada um nessas classes variam. De acordo com o otorrinolaringologista Heithor Sell, “as crianças ainda estão desenvolvendo as defesas do corpo e costumam pegar mais resfriados na escola. Ademais, a anatomia interna delas facilita que a secreção do nariz vá mais facilmente para o ouvido, causando mais otites”.
A fisioterapeuta Natália Pagano enfatiza essa tendência. Para ela, é fundamental destacar o grande número de crianças internadas durante a estação. “A demanda aumenta muito na pediatria hospitalar durante o inverno, a maioria ou todas as internações são pneumonias, crises de asma e bronquiolite. É uma época que exige bastante atenção e cuidado com a saúde das crianças e principalmente dos bebês”, conta.
Já no caso dos idosos, de acordo com Sell, seu sistema de defesa é naturalmente mais lento devido à idade. Além disso, eles possuem menos reflexo de tosse – dificultando a expulsão de muco. Se já estiverem com outros problemas de saúde, uma gripe pode evoluir mais rapidamente para algo sério.

Estação intensifica patologias e internações
Segundo a fisioterapeuta, durante a estação, dores articulares tendem a se intensificar, já que os vasos sanguíneos ficam mais estreitos ao realizar vasoconstrição, reduzindo a circulação de sangue para as extremidades, a fim de manter a temperatura nos órgãos vitais, localizados no centro do corpo. “Quem já possui dores prévias pode acabar tendo esses sintomas exacerbados nesta época do ano”, detalha. Ela ainda pontua que o sedentarismo aumenta no inverno pela indisposição causada pelo frio, gerando perda de mobilidade e piora do condicionamento físico e respiratório.
Ela destaca que pacientes com problemas respiratórios costumam procurar mais por fisioterapia no inverno. Aumenta, ainda, o número de internações no período. “Na estação, a quantidade de pessoas com problemas respiratórios, como pneumonias, piora das crises de asma e bronquite aumentam consideravelmente. Também acontece um crescimento no número de internações hospitalares e na procura por fisioterapia respiratória”, conta.
O otorrinolaringologista reforça esse padrão. “O consultório médico costuma encher de pessoas com gripe, resfriados, crises de rinite, sinusite e dor de garganta. Outro problema muito comum nessa época é a dor de ouvido – otite média aguda –, que geralmente aparece depois de um resfriado, principalmente em crianças, quando a secreção do nariz acaba indo para o ouvido e gerando infecção”.
O médico explica que o tempo seco e o frio favorecem essas crises, já que o nariz funciona como um aquecedor e filtro natural do ar. Assim, quando as temperaturas caem, a mucosa do nariz resseca e perde sua proteção natural. “Os cílios microscópicos que temos dentro do nariz, que servem para “varrer” as impurezas, passam a trabalhar mais devagar. Com isso, poeira, ácaros e vírus entram com muito mais facilidade, engatilhando as crises de espirros, entupimento e dor na face”, diz.
Locais fechados e aquecidos podem ser prejudiciais
Conforme o médico, um dos maiores perigos do inverno são os ambientes fechados e com pouca ventilação, que costumam agravar doenças respiratórias. “Como está frio, a tendência é fechar todas as portas e janelas de casa, do trabalho e do transporte público. O problema é que, se alguém estiver resfriado, os vírus ficam “presos” circulando no mesmo ar por horas. Manter uma fresta da janela aberta para o ar renovar é essencial para evitar o contágio”, explica.
Muito utilizado nos locais fechados, os aquecedores elétricos e o ar-condicionado no modo quente retiram ainda mais a umidade do ar. “O ambiente fica quentinho, mas o ar fica extremamente seco, o que irrita a garganta, resseca o nariz e causa tosse”, pontua o médico. Sell aconselha que bacias com água, toalhas molhadas ou umidificadores sejam usados para devolver a umidade do ar.
A médica Maria Eduarda Mahmud reforça a necessidade de cuidados em ambientes assim. “Nessa época do ano, o frio faz com que as pessoas permaneçam mais tempo em locais fechados, facilitando a transmissão de vírus e doenças respiratórias. E quem mais sofre com isso? Principalmente as crianças e os idosos”, confirma. Ela explica, ainda, que para a terceira idade, durante esse período, além de problemas pulmonares, as doenças crônicas – como diabetes e hipertensão – podem se agravar.
Hábitos e cuidados acompanham um inverno saudável
Segundo Sell, em alguns casos os sintomas gripais passam a exigir avaliação médica, deixando de ser simples resfriados. “Um resfriado comum costuma ir embora sozinho em menos de uma semana. O sinal de alerta deve acender quando surgirem os seguintes sintomas: falta de ar, cansaço extremo ou chiado no peito. Febre alta que dura mais de 3 dias ou que ressurge depois que você já parecia estar melhorando. Dor de ouvido forte ou dor de garganta com placas esbranquiçadas”.
Para evitar esses e outros problemas de saúde no inverno, Maria Eduarda destaca que a melhor prevenção pode ser feita em casa, como lavar o nariz com soro fisiológico para limpar as impurezas e hidratar as vias aéreas. Além disso, manter os ambientes ventilados, beber bastante água, higienizar as mãos e manter em dia a vacinação da gripe e da covid-19 antes mesmo da estação começar são outros cuidados fundamentais para todos os grupos e idades. “Cuidar da saúde no inverno não é apenas evitar uma gripe. É proteger quem mais precisa de atenção e garantir mais qualidade de vida para todos”, diz.
Ademais, Natália ressalta a relevância de manter atividades físicas e exercícios de mobilidade nesse período. “É importante tentar manter uma rotina de atividades físicas e fazer exercícios de alongamento e mobilidade no quadril, coluna e extremidades no dia a dia. Em momentos de indisposição ou preguiça, exercícios em casa ou caminhadas rápidas já podem ajudar bastante”, conclui.



