Em nota, Comitê da UFPel aponta rápido aumento do número de casos de Covid-19

Campus Anglo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).(Foto: Arquivo/Vitória Leitzke/JTR)

O Comitê Interno para Acompanhamento da Evolução da Pandemia da Covid-19 da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) divulgou, ontem (25), uma nova nota técnica sobre a situação da pandemia no município.

O documento aponta o forte aumento no número de casos, nas ultimas três semanas quando Pelotas apresentou forte aumento no número de casos. Na semana de 16 a 22 de janeiro, foram 2.736 casos novos, 798 casos novos a cada 100.000 habitantes, de acordo com o Comitê. “Muito acima do ponto de corte de 100 casos novos a cada 100.000 habitantes por semana considerado pelo Centro de Controle de Doenças como situação de alta transmissão”, afirma a nota.

A alta acontece mesmo que o percentual da população geral de Pelotas com vacinação completa está em 68%, no Rio Grande do Sul a marca é de 72%. Apenas 22% do publico alvo recebeu a dose de reforço.

Além disso, o Comitê também cobrou medidas mais firmes do sistema municipal de saúde. como o distanciamento social, a ventilação cruzada dos ambientes e o uso correto de máscaras de boa qualidade.

“É necessário acelerar a vacinação das crianças e fazer busca ativa daqueles que estão com dose de reforço pendente ou com vacinação incompleta. É importante ampliar ao máximo o acesso a testagem e a orientação para o isolamento daqueles com resultado positivo. O isolamento desde o início dos sintomas ou a partir do resultado positivo do teste é o mais adequado para promover a interrupção da transmissão”, destaca o documento.

Confira a nota completa: 

Nota técnica

Aumento do número de casos pressiona o sistema de saúde
Pelotas, 25 de janeiro de 2022

O Comitê UFPel Covid-19 vem por meio de nota técnica sinalizar a piora do cenário da
epidemia de Covid-19 em Pelotas, resultante da circulação da variante ômicron, e chamar atenção para a ocupação máxima de leitos de UTI no município.

Há três semanas o município de Pelotas apresenta forte aumento no número de casos, sendo que nas duas últimas semanas o município experimentou números recordes, alcançando na semana epidemiológica 3 (16 a 22 de janeiro) 2736 casos novos, ou seja, 798 casos novos a cada 100.000 habitantes, muito acima do ponto de corte de 100 casos novos a cada 100.000 habitantes por semana considerado pelo Centro de Controle de Doenças como situação de alta transmissão.

Embora o número de pessoas com vacinação completa e com dose de reforço reduzam o
quantitativo de casos graves com internação em enfermaria, UTI e óbitos, em comparação com o que ocorreu no ano passado, é esperado que este quantitativo muito alto de casos pressione o sistema de saúde. O Painel Covid-19 do município indica 16 pessoas em leitos de UTI, com 100% de ocupação.

Sabe-se que este número é bastante inferior ao número de leitos covid-19 disponíveis no pico da epidemia que era em torno de 60. Entretanto, preocupa que o município venha a enfrentar dificuldades para ampliar leitos. Sabe-se que um grande número de profissionais de saúde que estão afastados por estarem contaminados, além disso a grande exaustão enfrentada pelos profissionais de saúde, depois de 2 anos de pandemia, limita a possibilidade de expandir a carga horária.

O percentual da população geral de Pelotas com vacinação completa está em 68%, aquém do percentual do estado do RS como um todo que é de 72%. Apesar da importância da dose de reforço para evitar casos graves provocados pela variante ômicron, o percentual da população geral de Pelotas com dose de reforço é de apenas 22%. Ainda existem, inclusive, muitos idosos que não receberam a dose de reforço.

Diante disso, o comitê enfatiza a necessidade de ampliar as medidas de distanciamento social, a ventilação cruzada dos ambientes e o uso correto de máscaras de boa qualidade. Sabe-se que as máscaras de tecido oferecem proteção variável, portanto deve ser estimulado o uso de máscaras PFF2 ou N95 especialmente em locais em que ocorrem grande número de contatos e como segunda opção as máscaras cirúrgicas.

É necessário acelerar a vacinação das crianças e fazer busca ativa daqueles que estão com dose de reforço pendente ou com vacinação incompleta. É importante ampliar ao máximo o acesso a testagem e a orientação para o isolamento daqueles com resultado positivo. O isolamento desde o início dos sintomas ou a partir do resultado positivo do teste é o mais adequado para promover a interrupção da transmissão.

É preciso buscar estratégias para evitar as longas filas para vacinação e testagem, tanto porque elas são uma barreira para o acesso, quanto pelo fato de se tornarem um foco de aglomeração e contaminação. Além disso, é fundamental monitorar a situação dos profissionais de saúde. O suporte social para a população em estado de vulnerabilidade deve ser fortalecido, garantindo, entre outros aspectos, a distribuição de máscaras de boa qualidade e apoio para aqueles que precisam fazer isolamento.

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