Transporte e agronegócio, uma parceria de sucesso

Setor do transporte foi um dos principais instrumentos de logística diante da alta demanda do agronegócio (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Em 14 meses de pandemia de coronavírus, duas atividades econômicas não pararam um dia sequer, pelo contrário, tiveram até aumento de demanda. Estamos falando dos setores do agronegócio e do transporte, o primeiro devido à alta demanda por alimentos e o segundo por ser um dos principais instrumentos de logística para que estes alimentos cheguem até o seu destino, o consumidor final. “O caminhão é fundamental. Todos os modais dependem do caminhão, essencial para todo mundo”, salienta o presidente da Associação dos Proprietários de Caminhões de Pelotas e região (Aprocapel), Nelson Vergara, ao defender os dois setores que mais movimentam o país. Segundo ele, entre as atividades que movimentam o caminhão, 80% provêm do agronegócio.

De acordo com Vergara, este ano foi excepcional, o melhor dos últimos tempos, com safras boas tanto no Rio Grande do Sul, como no Mato Grosso e Paraná. “Foi um ano perfeito, com poucas chuvas e em alguns momentos faltaram caminhões, originando uma fila de espera”, ressaltou. Ele destaca, ainda, que em período de safra, os fretes melhoram e com o crescimento do agronegócio, o caminhão acompanha. No pós-safra, ao contrário, geralmente nos meses de dezembro e janeiro, os preços dos fretes baixam e diminui o número de cargas.

Palavras de quem sabe o que está falando, pois em 1988 fundou a empresa Transportes Vergara, que tem sua atividade voltada ao transporte de grãos. É um dos fundadores também e presidente desde o início da Aprocapel, há quase 12 anos, cujos associados juntos são responsáveis por uma frota de 500 caminhões. Ele conta que a associação foi criada para resolver problemas de acidentes, roubos, incêndios e outros sinistros, ocorridos com os caminhoneiros da região nas estradas do Brasil a fora. Conforme ele, nestes 12 anos foram 220 acidentes com caminhões de associados, 12 apenas neste ano, recuperados no menor tempo possível, para que, no máximo, em 30 dias estejam de volta à estrada trabalhando.

Presidente da Aprocapel, Nelson Vergara, em
entrevista ao Jornal Tradição Regional (Foto: Adilson Cruz/JTR)

Ele lembra que nos primeiros anos, a associação funcionou em seu escritório. Há três anos, foi adquirido um terreno em frente à sua empresa, no bairro Santa Terezinha, e construída a sede própria, inaugurada no ano passado. Além disso, a entidade possui uma área de oito hectares na BR-116 para construção de um estacionamento para associados, onde os motoristas poderão abastecer, descansar, entre outros, e assim evitar ter que transitar pela cidade.

Segundo ele, um dos problemas mais difíceis de resolver são os roubos de caminhões. Nestes 12 anos, foram 14 roubos registrados e apenas um veículo recuperado. Há cinco anos, os associados também se beneficiam das compras associativas. “Conseguimos comprar direto da fábrica a preços mais baixos e com menos impostos”, comenta Vergara. Segundo o presidente, apenas no ano passado, foram 5.525 pneus adquiridos neste sistema. Além disso, os associados podem pagar em quatro vezes pelo valor à vista. Os benefícios aos associados se estendem ainda a serviços de recapagem, óleo de motor, lona e convênios com alguns postos de combustíveis.

Vergara conta que o projeto era para 250 caminhões e atende hoje 500 caminhões de associados, o que representa em torno de 10% da frota que roda hoje na região, estimada entre dois mil a 2,5 mil veículos, diz. Toda esta estrutura é responsável pela geração de um número infinito de empregos indiretos, seja com borracharia, oficina, peças, concessionárias, entre outros.

O uso da tecnologia é um dos aliados da entidade para garantir a segurança dos motoristas e das cargas nas estradas. “Todos os caminhões são rastreados”, destaca. Cada veículo possui um rastreador, um localizador e um bloqueador. Por meio de um aplicativo, o transportador pode acompanhar localização, se o veículo está em movimento ou parado, velocidade, entre outros parâmetros. “Não somos coniventes com excesso de velocidade, priorizamos a lei”, ressalta, destacando que os motoristas são fiscalizados para não exceder os 10% do limite de velocidade.

Vergara também preza pelo cumprimento da lei na relação empregador-motorista e aconselha a todos os associados a assinar a carteira. Além disso, tanto os caminhões quanto os motoristas são segurados.

O desejo de todo o transportador, segundo ele, são boas estradas e pedágios mais baratos. “Um grande gargalo do setor é a BR-392, principal via de acesso ao porto de Rio Grande e por onde é escoada boa parte da soja produzida no Estado. Ninguém é contra o pedágio”, diz, tomando como base o valor de R$ 4,70 pago na Freeway em comparação aos R$ 12,30 pagos aqui em pista simples. “Queremos que os valores não sejam distorcidos”, ressalta e exemplifica que um caminhão de sete eixos paga pedágio por oito eixos e um nove eixos rodotrem paga por 13. “São estradas construídas com nossos impostos e entregues à concessionária”, salienta. Segundo ele, pelo que é oferecido ao usuário, torna-se o pedágio mais caro do Brasil.

O presidente ressalta que esta deve ser uma preocupação de todos e não apenas dos transportadores. “Tudo o que chega na nossa casa paga pedágio”, justifica. Ele lembra a proximidade de uma praça de pedágio para outra no eixo Pelotas. “Pela lei não poderia um pedágio menos de 100 quilômetros um do outro”.

O alto preço do óleo diesel e a escassez de pneus no mercado estão entre as atuais dificuldades do setor para amenizar os custos. “Um caminhão faz em torno de dois quilômetros por litro de óleo diesel que está com valor superior a R$ 4 por litro”, diz. A falta de pneus no mercado nacional, de acordo com Vergara, tem sua origem no alto valor do dólar e priorização da exportação pelos fabricantes.

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