Um grupo de produtores rurais da Zona Sul e outras regiões do estado realizaram nesta terça-feira (17) uma nova manifestação para pedir a readequação dos prazos de pagamentos e vencimentos das dívidas. Durante todo o dia os manifestantes promoveram bloqueios intercalados na BR-392, no trevo de acesso à avenida Viscondessa da Graça, na pista no sentido Pelotas-Rio Grande. No final da tarde a manifestação foi encerrada, por conta de uma liminar obtida pela Ecovias Sul proibindo a ocupação da estrada e a interrupção do tráfego. A partir disso a realização de novo protesto na quarta-feira (18) ficou indefinida
“Mais uma vez a gente está na mobilização tentando chamar a atenção do governo, pois faz mais de um ano que estamos enfrentando essa crise, depois da enchente do ano passado e junto com a seca deste ano. Os agricultores gaúchos se encontram altamente endividados e sem condições de se manter na atividade. A gente já tentou reuniões com o governo, já tentou chamar a atenção do governo de tudo que é maneira e a gente não está sendo ouvido. O que nos resta é se manifestar e chamar a atenção do governo dessa maneira”, disse o produtor Lucas Schaeffer, um dos porta-vozes do movimento “Securitização Já!”.
Conforme Schaeffer os produtores não perdem perdão, mas sim mais prazo para pagamento das dívidas. “O que a gente está pedindo é o alongamento das dívidas, não é anistia. É alongar as dívidas por um prazo de 20 anos para que a gente possa pagar com a nossa produção”, explica.
As fortes chuvas da madrugada acabaram prejudicando a adesão ao movimento nas primeiras horas, mas a partir do final da manhã aproximadamente 200 produtores já estavam reunidos no ponto do protesto.
Ao contrário da semana passada, quando as duas pistas foram trancadas, desta vez a opção foi por bloquear apenas o tráfego no sentido Pelotas-Rio Grande. O sistema permaneceu o mesmo, com interrupções a cada 20 minutos e igual tempo de estrada liberada.
Apoio quase incondicional

Parte dos caminhoneiros e motoristas demonstraram apoio ao movimento dos agricultores com buzinaços ao cruzar pelo grupo quando a estrada era liberada. Porém nem todos concordaram com o movimento. Foi o caso do caminhoneiro Júlio Ederson da Silva, que seguia para Rio Grande e ficou parado no bloqueio no final da manhã.
“Quando nós caminhoneiros fazemos uma greve na estrada fazemos por pautas que vão beneficiar a toda a população, como a redução do preço do diesel e eles estão pedindo o quê para nós? Se eles estivessem fazendo uma reivindicação para toda a população brasileira eu apoiaria, seria um que iria parar. Mas os caras estão pedindo o refinanciamento das dívidas deles. E eu que tenho horário para baixar lá no porto de Rio Grande vou perder meu horário e ter que pagar R$ 300, por causa disso”, disse.




