
*Com informações da Assessoria de Imprensa
Com uma produção de quase duas mil toneladas, área de 43,5 hectares e 230 unidades produtivas, Pelotas é o maior produtor de morango de mesa da região Sul e o maior do Estado em número de produtores. Segundo dados do Levantamento Frutícola realizado pela Emater/RS-Ascar, em 2025, na região Sul, a fruta é cultivada em 15 municípios, possui 505 unidades produtivas, 71,96 hectares e uma produção anual de 2.825,4 toneladas.
Com a adoção de tecnologias, a fruta é produzida durante todo o ano, mas o auge da produção ocorre a partir do mês de setembro e pode se estender até dezembro. Anualmente, é realizada a Feira Municipal do Morango, que possibilita a oferta da fruta diretamente dos produtores aos consumidores em bancas distribuídas entre o centro e os bairros da cidade, geralmente a partir do mês de outubro. Os produtores também se organizam para a Festa Municipal do Morango, que ocorre no mês de novembro, no Parque Morada do Sol.
Enquanto o trabalho não se intensifica nas pequenas propriedades, os produtores buscam atualização e aperfeiçoamento, sempre em busca de melhorias para o sistema produtivo. No Dia de Campo do Morango, promovido pela Emater/RS-Ascar, no dia 20 de maio, participaram mais de 80 produtores de vários municípios da região. O evento ocorreu na propriedade do casal Lidiane e Daniel Perleberg, localizada em Cerrito Alegre, no interior de Pelotas.
Nas cinco estações técnicas, foram demonstradas tecnologias sustentáveis, manejo e uso de bioestimulantes, avaliação de cultivares, manejo da fertirrigação e uso de bioinsumos. As orientações servem tanto para o cultivo da fruta no solo quanto em substrato, os dois sistemas presentes nas propriedades da região.
De acordo com o chefe do escritório da Emater em Pelotas, o engenheiro agrônomo Rodrigo Prestes, o município consolidou-se como tradicional produtor de morango no solo e, com o passar do tempo, os agricultores começaram a investir em novas tecnologias, como o cultivo em substrato.
“Dessa forma, é comum existirem propriedades que mantêm parte da produção no solo, com variedades de dias curtos, para produção durante a safra, e parte investida em variedades de dias neutros, fora do solo, para que produzam o ano inteiro”, ressalta. Segundo ele, o número de propriedades que seguem com a produção no solo chega a 40% no município.
Produtores são referência no Estado
Uma dessas propriedades é a da família Perleberg, anfitriã do Dia de Campo, que tem produção média de 12 a 15 toneladas da fruta por ano, por meio dos dois sistemas produtivos. “A família é uma referência de manejo cuidadoso e atento”, destaca Prestes.
O casal de produtores Lidiane e Daniel Perleberg conta que gosta de conhecer e investir em novas formas produtivas e, há pelo menos cinco safras, aposta no uso de bioinsumos visando maior sustentabilidade. “Sempre que podemos, buscamos alternativas mais naturais, pensando nos consumidores e também em quem vai trabalhar nas estufas e canteiros”, explica Lidiane.
Os bioinsumos, alternativas naturais e sustentáveis para o controle de pragas e doenças, nutrição das plantas e melhoria do solo, estiveram entre as soluções apresentadas durante o evento. O destaque foi para o uso de produtos biológicos para promover resistência a problemas recorrentes na região. “Temos algumas doenças de difícil controle e esperávamos que fossem reduzidas com o cultivo em substrato”, diz o agrônomo.
No entanto, Perleberg conta que “os problemas persistiram, mas foram diferentes. Tanto no solo quanto em substrato há grande incidência de doenças de solo, como rizoctonia e antracnose, por exemplo”.
Para ele, os produtos químicos mostraram pouca eficiência, e o trichoderma, que é um insumo biológico, vem auxiliando no controle desse problema e já é utilizado por muitos produtores. “Nesses eventos, procuramos trazer outras alternativas e inovações para o produtor conhecer e passar a utilizar”, ressalta.
Também foram tratados temas como adubação e aquisição de mudas, além da apresentação de variedades pelos pesquisadores do Programa de Melhoramento Genético de Morangueiro da Embrapa Clima Temperado.
Ainda em uma estação conduzida pela Emater/RS-Ascar, foi abordado o manejo e a conservação do solo, com foco em questões físicas, como identificação de compactação, ações que podem mitigar esses efeitos, estratégias de manejo de adubação e calagem a partir da correta amostragem e análise de solo.
O evento teve o apoio da Embrapa Clima Temperado, da Prefeitura de Pelotas, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pelotas e dos parceiros comerciais Goya, Rudam, HM, Diarroz e Agrolart.




