Produção de terneiros é tema do Fórum Promebo na Prática no primeiro dia da 3ª Fenagen

Programação técnica evidencia a relação entre melhoramento genético, produtividade e qualidade da carne. (Foto: Divulgação/Associação Brasileira de Hereford e Braford)

Continua nesta quinta-feira (2), a partir das 8h, no parque da Associação Rural de Pelotas (ARP), a 3ª Feira Nacional de Genética Promebo (Fenagen), com os julgamentos morfológicos dos animais das sete raças bovinas participantes: Hereford, Braford, Angus, Brangus, Ultrablack, Devon e Charolês. Estão inscritos 249 exemplares de 49 expositores. A entrega dos prêmios ocorre a partir das 18h e, logo após, às 20h, haverá o show de encerramento do dia com Lipe Carvalho.

A superintendente de Registro Genealógico da Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC), entidade promotora do evento, Silvia Freitas, ressalta que a terceira edição da Fenagen iniciou batendo vários recordes, desde o número de animais inscritos e de estandes de expositores até o público, tanto de visitantes quanto de participantes do 5º Fórum Promebo na Prática, que teve como foco o desempenho na produção de terneiros, visando à produção final de carne. “As pessoas compraram a ideia da feira, que tem o diferencial de olhar, durante os julgamentos, não apenas o fenótipo desses animais, mas focar também no desempenho genético”, ressalta.

Segundo ela, os animais apresentados, além de mais equilibrados, são mais produtivos, gerando maior lucratividade dentro das propriedades. São quatro dias de programação, até sábado (4), incluindo julgamentos, fóruns técnicos, como o Fórum da Carne Hereford, Simpósio da Foco Pecuária, Encontro de Citeanos, Arena dos Campeões, promovida pela Zootecnia, Leilão Genética Comprovada, Passaporte de Outono do Cavalo Crioulo, entre outras atividades voltadas à seleção genética, produtividade e qualificação da pecuária de corte.

Respostas da pesquisa

Ainda nesta quinta-feira (2), a partir das 14h, pesquisadores da Embrapa Pecuária Sul apresentam tecnologias e projetos voltados às principais demandas identificadas em uma consulta realizada junto aos produtores rurais. O levantamento apontou três temas prioritários para os sistemas de produção pecuária do Estado: custos de produção, controle do carrapato e qualidade da carne.

A proposta do evento, intitulado “Desafios da pecuária gaúcha: das prioridades do campo às respostas da pesquisa”, é mostrar como a ciência pode oferecer respostas aos desafios vivenciados no campo. A programação inicia com a palestra do pesquisador Vinicius Lampert, que abordará ferramentas para a gestão da atividade pecuária, incluindo o software Pecuaria.io, desenvolvido para apoiar a tomada de decisão e aumentar a eficiência dos sistemas produtivos.

Na sequência, a pesquisadora Nathalia Biacchi falará sobre os desafios da multirresistência dos carrapatos aos acaricidas, uma das principais preocupações apontadas pelos produtores gaúchos. Encerrando o dia, a pesquisadora Elen Nalério abordará a impressão digital da carne bovina gaúcha, sob a perspectiva da caracterização e valorização da carne produzida regionalmente. Após as apresentações, os participantes poderão interagir com os pesquisadores em um espaço destinado a perguntas e debates.

Fórum Promebo

Na programação do primeiro dia, os debates do Fórum Promebo na Prática tiveram como tema central a produção de terneiros, com palestras pela manhã sobre padronização, mercado, rastreabilidade, qualidade de carcaça, terminação e exportação. À tarde, representantes de cinco propriedades de Rio Grande, Santa Vitória do Palmar e Capão do Leão falaram sobre a produção de terneiros de alto desempenho e o papel da genética na produção, com demonstração de lotes de animais em pista.

O presidente do Conselho Técnico da ANC, Leandro Hackbart, explica que se trata de propriedades com sistemas de produção diferentes, mas todas utilizam a genética como ferramenta. Segundo ele, o terneiro é um dos pontos utilizados para fazer a avaliação de todo o processo até chegar ao produto final, que é a carne. “Entendemos e focamos no terneiro este ano para trazê-lo para dentro do melhoramento genético, não só aquele produtor que tem a genética, que comercializa touros e vende genética, mas também o produtor comercial, que usa essa genética para produzir a carne para o frigorífico”, ressalta.

Segundo Hackbart, o exercício proposto foi provocar uma reflexão sobre o melhoramento genético, mostrando resultados nos terneiros com a apresentação de 112 animais comerciais, frutos de um trabalho realizado há um ano e meio, na primavera de 2024. “Chegaram agora para mostrar o resultado do que os produtores usaram no acasalamento versus o que foi realizado”, diz.

A mensagem deixada é de que realmente há necessidade de critérios na seleção, em razão da pressão exercida pela agricultura sobre a pecuária, que exige eficiência do pecuarista, e essa eficiência passa por seleção e resultados, afirma. “Trouxemos uma seleção de animais recentes, de um produtor que está apenas na terceira geração, e também um exemplo de alguém que já tem mais de 40 anos selecionando, desmistificando a ideia de que a genética é algo elitizado”, ressalta.

Ainda na noite de quarta-feira, a ANC celebrou seus 120 anos de história no registro genealógico das raças bovinas em todo o País, em evento realizado na sede da entidade, em Pelotas. “Para nós é uma grande satisfação poder comemorar esta data com associados e todos aqueles que entendem a importância do registro genealógico, pois é a partir desse controle que se consegue conhecer linhagens mais produtivas”, diz a superintendente.

A entrada no parque e o estacionamento são gratuitos, e algumas palestras necessitam de inscrição prévia.

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