Debate acalorado sobre drogas marca sessão da Câmara de Vereadores de Pelotas

Antes mesmo do início da sessão, o plenário estava lotado de apoiadores e opositores da vereadora Fernanda Miranda (PSOL), que em diversos momentos se manifestaram com aplausos, vaias, críticas e provocações. A parlamentar foi flagrada com dois cigarros de maconha pela Brigada Militar durante o Carnaval de Rua da cidade. (Foto: Fernanda Tarnac)

A sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Pelotas, realizada na manhã de quinta-feira (6), foi tomada pelo debate sobre o uso de drogas após o caso envolvendo a abordagem da vereadora Fernanda Miranda (PSOL) no Carnaval de Rua da cidade pela Brigada Militar (BM) portando dois cigarros de maconha.

Antes mesmo do início da sessão, o plenário estava lotado de apoiadores e opositores da parlamentar, que em diversos momentos se manifestaram com aplausos, vaias, críticas e provocações.

Após a abordagem, a BM confeccionou um termo circunstanciado e a vereadora foi liberada. O assunto, porém, deve seguir em pauta nos próximos dias no Legislativo. Assista à sessão AQUI!

Logo após o fato, os vereadores Marcelo Bagé (PL) e Daniel Fonseca (PSD) estiveram no 4º Batalhão da Brigada Militar solicitando informação sobre a ocorrência envolvendo a vereadora. Segundo Bagé, o intuito é levar a conduta da parlamentar para análise na Comissão de Ética da Câmara.

Candidata à vice-prefeita ao lado de Marciano Perondi pelo Partido Liberal (PL) na última eleição, Adriane Rodrigues publicou um vídeo na quarta (5) convocando apoiadores para um ato de repúdio à postura da vereadora em frente à Câmara Municipal amtes do início da sessão de quinta-feira. “Quem faz e fiscaliza as leis deve dar exemplo, deve proteger a população, deve ser cumpridor da ordem e da lei, deve ter ética!”, pontuou Adriane.

Confira a fala de alguns parlamentares, incluindo da própria vereadora:

“É evidente que o que se montou nos últimos dias, essa inquisição, foi unicamente pelo viés oportunista e moralista, e não um debate profundo, científico, de saúde pública e de economia. Ficou evidente que o único objetivo foi desgastar e perseguir uma parlamentar mulher, com um trabalho amplamente reconhecido, reconduzida ao cargo duas vezes como a mais votada por conta deste trabalho e, portanto, representa uma ameaça a quem utiliza dessa moral hipócrita para manter seu poder e privilégio”.

— Vereadora Fernanda Miranda (PSOL)

(Foto: Fernanda Tarnac)

“Eu subo à Tribuna hoje com muito pesar tem que tratar de um tema que, para mim, é triste, que para muitas mães é triste, que pra maioria da sociedade, e não estou aqui para falar sobre a vida pessoal da vereadora Fernanda, já deixo muito claro aqui que tenho respeito por vossa excelência, pelo trabalho que a senhora desenvolve junto a sua comunidade junto àqueles que lhe tornaram a vereadora mais votada de Pelotas nas duas últimas eleições, mas estou aqui sim para tratar do tema drogas. […] É por isso que esse debate tem que ser travado de forma séria de forma responsável pensando nas pessoas que estão lá sofrendo diariamente o efeito da droga e eu duvido, eu duvido que esses mesmos que defendem a liberação da droga tenham a coragem debater na casa de uma família que teve seu filho preso, seu filho morto e diga para aquela mãe que a maconha não tem problema nenhum é uma droga para se divertir”.

—Vereador Marcelo Bagé (PL)

(Foto: Fernanda Tarnac)

“E fique registrado: não se trata de uma luta partidária nem de gênero. Não se trata de direita ou esquerda. Não se trata de radicalismo. Nós estamos falando de drogas. A droga que financia o tráfico, que gera violência, destruição de famílias, que gera crime. Ninguém compra droga a não ser de um traficante. E a compra faz o quê? Ela mata crianças, jovens, adolescentes. Ela mata mulheres. Um fator muito importante do feminicídio é o fator das drogas, porque ela traz feminicídio.”

— Vereador Daniel Fonseca (PSD)

(Foto: Fernanda Tarnac)

“Não é uma discussão sobre ser a favor ou contra as drogas. O que aconteceu foi um ato ilícito. Quem quiser que vá ao STF, vá ao Judiciário. O que estamos tratando aqui é de um representante da população. Se fosse comigo, eu estaria na capa do jornal, na CNN e, com certeza, estaria cassado. Eu não tenho dúvidas disso. O ato que aconteceu é ilícito. É muito fácil virmos aqui e defendermos uma vereadora que ganha R$ 18 mil, branca, privilegiada. […] O que estamos debatendo aqui é que a presidenta da Comissão de Educação foi pega em um ato ilícito, e esta Casa vai permitir isso?”

— Vereador de Pelotas, Cauê Fuhro Souto (PV)

(Foto: Fernanda Tarnac)

“Ela tem um trabalho histórico nesta cidade, absolutamente respeitado em diversas pautas essenciais para a vida do povo da nossa cidade, e que tem o direito de na sua vida privada fazer o que quiser.”

— Vereador Jurandir Silva (PSOL)

(Foto: Fernanda Tarnac)

“Portar maconha para uso não é crime, é uma infração administrativa. Isso não é eu que acho, isso é uma resolução do Superior Tribunal Federal (STF), não tem consequência penal e não entra no registro de ficha de atendimento criminal, é advertência ou a obrigatoriedade de assistir programa ou curso educativo. Não adianta o pessoal querer induzir, pegar alguém com maconha, logo as famílias estão ameaçadas, logo… se houver cientificamente uma comprovação disso, eu me somo! Vão no jogo do Brasil, vão no Bra-Pel, nas torcidas organizadas e achem uma pessoa, um adolescente que não tiver fumando maconha. A gente tem que olhar essas questões com inteligência, não preconceito, mas sempre ciência”.

— Vereador Ivan Duarte (PT)

(Foto: Fernanda Tarnac)

1 comentário

  1. Além de ser cassada, essa vereadora tem de ser demitida como professora. Jamais vou permitir que um filho seja “ensinado” por ela! Os demais vereadores tomem vergonha e resolvam logo a situação.

Comments are closed.