Uma família de apaixonados por caminhão

Pai dos irmãos Alves Nunes morreu há seis anos, no Dia do Motorista. (Foto: Arquivo pessoal)

Quando o assunto é paixão por caminhão, as histórias meio que se repetem: o filho resolve ser caminhoneiro porque o pai também foi ou é, e a interação com o veículo começa desde cedo, levando o filho a acompanhar o pai. No caso dos irmãos Jonas e Leandro Alves Nunes, moradores de Pelotas, não foi diferente. Seguiram os passos do pai, João Carlos Nunes, que foi caminhoneiro por mais de 30 anos. Mas a história dos dois irmãos guarda um episódio triste, a morte do pai, aos 65 anos, há exatos seis anos, no Dia do Motorista. Segundo narra Jonas, era tradição para ele esperar a procissão de São Cristóvão em frente à empresa que trabalhava e, neste exato dia, enquanto aguardava a passagem dos caminhões teve um infarto fulminante.

A história do pai inspira os filhos que, além de terem a sua empresa, com dez caminhões próprios, ainda cuidam de uma frota de 24 caminhões de terceiros. Esta tarefa, de comandar a logística das cargas e a parte mecânica dos caminhões cabe a Jonas, que deu uma pausa nas viagens, nos últimos oito anos. Já o irmão, Leandro, conta que viaja todo o Brasil com os caminhões da empresa da família. “Os meus caminhões viajam todo o Brasil, já os outros que eu cuido só trabalham dentro do Estado”, ressalta. Fortaleza, no Ceará, foi a maior distância percorrida pelo motorista até hoje.

“Na estrada é assim, temos momentos bons e ruins”, disse. Segundo ele, nunca se envolveu em acidentes na estrada ou foi vítima de roubos de carga. Seu irmão, ao contrário, conta que foi vítima de assalto e sequestro em 2002, na cidade mineira de Uberaba, ficando inclusive num cativeiro. Ele salienta que trabalhar com caminhão é um estilo de vida, uma vida diferente, onde se faz o próprio horário. “É como se fosse um home office sobre rodas”, brinca. Além disso, para ele há dois tipos de motoristas, os que gostam de estrada e os que trabalham pelo salário, que é bom. Ele argumenta que, para perseverar na estrada, apenas salário não adianta, tem que viajar com gosto.

Segundo o motorista, os caminhões mais modernos estão muito bem equipados, com marchas automáticas, além de possuírem televisão, geladeira e todo o conforto para o motorista. “Uma autêntica casa”, diz. De acordo com ele, a pandemia não afetou em nada o setor de transportes, ao contrário, só favoreceu. “Se o caminhão parasse, parava o Brasil, pois tudo é movimentado sobre rodas”, ressalta. Mesmo trabalhando durante a pandemia, ele afirma que não houve nenhum caso de Covid entre seus motoristas. “O fato mais grave que ocorreu foi a morte da esposa de um dos motoristas por Covid”, disse. Hoje, todos já estão vacinados.

Aos 38 anos, Jonas diz que começou a trabalhar com caminhão aos 21, e relata uma rotina bem cansativa, com longas viagens e muito tempo longe da família, por isso resolveu dar um tempo nas viagens, há oito anos. “Eu tenho dois filhos, um com 15 anos e outro com sete, e do mais velho quase não acompanhei o crescimento por estar sempre em viagem”. Já para o menor está mais presente e, ao contrário do mais velho, é um apaixonado por caminhão. Será que vai seguir os passos do pai?!

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